A incidência de leishmaniose em Bauru caiu, mas a doença continua sendo perigosa e letal. Ontem, uma criança de 7 meses, que estava com a doença, morreu. A Secretaria Municipal de Saúde, através do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), informou que recebeu do Instituto Adolfo Lutz a confirmação do diagnóstico de leishmaniose. A criança, do sexo masculino, morava no Parque Viaduto, bairro da periferia, onde são comuns terrenos baldios com lixo acumulado, em decomposição, locais propícios para procriação do mosquito palha, que transmite a doença a cães e humanos.
Com esta confirmação, Bauru totaliza nove casos da doença e duas mortes neste ano. Em 2006, foram registrados 71 casos e quatro mortes, o que configurou o pior momento da epidemia na cidade. A primeira morte deste ano foi de uma pessoa que havia contraído a doença em 2006. Em 2005, foram 36 pessoas infectadas com a doença e também quatro mortes. A Secretaria Municipal de Saúde informa que já desencadeou ações de prevenção e controle na área de abrangência da casa onde o bebê morava, através das equipes de agentes do Centro de Controle de Zoonoses.
De acordo com o DSC, a criança que morreu ontem estava em tratamento no Hospital Estadual (HE) desde a última segunda-feira. Pela evolução do quadro, o estado de saúde da criança quando chegou ao hospital já era grave. Quando a leishmaniose é diagnosticada precocemente e o paciente não está com o sistema imunológico debilitado, as chances de cura são altas, apesar de o tratamento provocar efeitos colaterais. Em muitos casos, não é necessário nem internação.
O médico Fernando Monti, que trabalha no HE e já tratou vários pacientes com leishmaniose, não acompanhou a criança que morreu ontem, mas avalia que provavelmente ela apresentava condições prévias que impediram que o tratamento revertesse o quadro. “Uma criança, especialmente menor de 1 ano, tem riscos adicionais ao adquirir a doença. O principal é que o sistema imunológico ainda não está completo, como em um adulto, o que pesa negativamente”, comenta.
Ele ressalta que em tratamento contra leishmaniose em crianças menores de 10 anos é ministrado um medicamento diferente do usado em adultos. “Esse medicamento tem demonstrado eficácia e menor efeito colateral”, frisa. Para o médico, a ocorrência da segunda morte por leishmaniose neste ano não é um indicativo de agravamento da epidemia.
No bairro onde a criança que morreu ontem morava, são muitos os terrenos com lixo acumulado. Osvaldy Ticão Martins, presidente da Associação de Moradores do Parque Viaduto e adjacências, afirma que a própria população joga lixo e entulho, o que contribui para a proliferação do mosquito palha. “Jogam lixo, entulho nos terrenos. Esgoto estoura e represa no lixo. E as pessoas acham que com elas essas coisas (leishmaniose) não acontece”, comenta.