A ovinocultura é um mercado em plena expansão. Com grande demanda pela carne de cordeiro e rendimento acima da média em relação a outras criações, o setor atrai cada vez mais interessados e cresce de forma surpreendente na região de Bauru. O bom momento deste mercado ainda desconhecido para muitos resultou no “1.º Dia de Campo - Criação de cordeiros do nascimento ao abate”, que será realizado amanhã em parceria pelo Núcleo de Ovinocultores de Bauru e Região (Nobre), Sindicato Rural de Bauru, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-SP) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP).
O evento levará ao Recinto Mello Moraes um ciclo de palestras ministradas por experientes profissionais da área, dividido em cinco estações. São elas: “Manejo de matrizes - parição”, “Manejo de creep à desmama”, “Recria - abate e reposição do rebanho”, “Alimentação e confinamento” e “Comercialização - diferenças entre carcaças”.
De acordo com Fleide Anequini, gestora do projeto de ovinocultura no escritório regional do Sebrae em Bauru, Grupos de 30 pessoas vão se alternar para assistir as apresentações das cinco estações, que serão montadas na pista de julgamento do recinto, a partir das 8h deste sábado. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo telefone (14) 3226-3695 ou pelo e-mail srbauru@uol.com.br.
De acordo com Fleide, o Nobre é uma prova real do célere crescimento da ovinocultura na região. O grupo começou com dez integrantes em junho de 2005 e, apenas dois anos depois, já conta com 33 filiados de Bauru, Duartina, Arealva, Guarantã, Iacanga, Piratininga, Reginópolis e Lucianópolis.
“É um mercado altamente promissor porque é relativamente novo, não requer grandes investimentos para começar e proporciona ótimo retorno financeiro”, observa.
Consumo
Segundo o médico veterinário e diretor técnico do Nobre, Miguel Haddad, somente na cidade de São Paulo são consumidas cerca de 250 toneladas por dia de carne de cordeiro. Entretanto, mesmo sendo um grande mercado consumidor, somente cerca de 30% da carne comercializada na Capital é de produção nacional. O restante precisa ser importado de países como Uruguai e Nova Zelândia.
“Dentro do Nobre, nos organizamos para trabalhar com venda e compra em conjunto e para a padronização do animal (que será destinado ao mercado comprador), desde a carcaça até a alimentação. Hoje o mercado exige cordeiros com peso vivo de 30 a 40 quilos e de raças de corte ou cruza, como dorper, ile de france, hampshire down e texel (todas lanadas). Mas hoje, 44% das matrizes do Nobre são da raça santa inês, que não têm lã e nem a carcaça que o mercado exige. Por isso, através da cruza industrial estamos trabalhando para melhorar a carcaça e a genética dos animais”, ressalta Haddad.
Em supermercados de Bauru é possível encontrar carne de cordeiro à venda em torno de R$ 27,00 o quilo. Mas por questões culturais e também por falta de informação, as pessoas não têm o hábito de consumir essa carne com freqüência.
Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), observa que a ovinocultura teve um crescimento espantoso em todo o Estado de São Paulo. Na avaliação dele, a falta de um local específico para o abate de ovinos em Bauru impede a expansão mais rápida do setor. Atualmente, as cidades mais próximas que os produtores precisam se deslocar para fazer o abate são Lençóis Paulista e São Manoel.
“A grande carência de Bauru é não ter um matadouro específico para ovinos. Há muitos anos foi feito um projeto na prefeitura que definiu até o local para isso, em Tibiriçá, para cordeiros e suínos. Tinha até verba aprovada e só não deu certo porque o secretário da época saiu e o que entrou no lugar abandonou o projeto. Mas o projeto existe e poderia ser reativado se houvesse vontade política do poder municipal”, adverte Lima Verde.
• Serviço
O “1.º Dia de Campo - Criação de cordeiros do nascimento ao abate” será realizado amanhã, a partir das 8h, no Recinto Mello Moraes, em Bauru. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas ainda hoje pelo telefone (14) 3226-3695 ou pelo e-mail srbauru@uol.com.br.
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Plantel
Atualmente, o plantel dos criadores filiados ao Núcleo de Ovinocultores de Bauru e Região (Nobre) é de aproximadamente 5.500 animais. Na grande região estima-se que o número chega próximo a 27 mil. Entre as vantagens para a criação de ovinos - além da rentabilidade - está a questão do espaço físico. Segundo o diretor técnico do Nobre, Miguel Haddad, numa área de 1,5 hectare (15 mil metros quadrados) é possível criar 140 matrizes.
“Não pode deixar cachorro perto porque ele mata os animais. Em comparação com a criação de gado, por exemplo, a diferença é enorme. Setenta ovelhas correspondem a (área ocupada por) dez vacas. Além disso, gado pode ser criado junto com as ovelhas”, diz Haddad.
Ele explica que, até os 15 meses de vida, o animal macho é chamado de cordeiro. Após essa idade passa a ser borrego e, quando entra na fase reprodutiva - a partir dos 17 meses -, “torna-se” carneiro.
“Com 150 dias de vida o animal já pode ser abatido, mas vai depender do peso. O ideal para o mercado é que o cordeiro esteja pesando de 30 a 40 quilos no momento do abate. Com um bom manejo, a ovelha dá cria duas vezes por ano”, diz Haddad.