As mulheres não querem decidir apenas se continuam ou não com uma gravidez ou ver seus agressores punidos com mais rigor. Elas querem interferir também no destino do País. Para isso, estão cobrando participação maior nas decisões políticas. Elas querem mais espaço dentro dos partidos, dominados por homens.
“No aspecto político, (a participação da mulher) ainda é muito desigual”, constata a vereadora Majô Jandreice (PC do B), membro da União Brasileira de Mulheres. Por uma questão histórica, lembra ela, os partidos sempre foram habitados e comandados pela ala masculina da sociedade. E tudo que remonta a tradições leva tempo para ser mudado.
Entre as propostas aprovadas na 2ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, no fim de agosto, em Brasília, estão investimentos dos partidos políticos na formação e politização das mulheres e o oferecimento de vagas em cargos administrativos dentro dos partidos para as filiadas.
Atualmente, a participação das mulheres no Congresso Nacional brasileiro equivale a apenas 8,8% do total de vagas. Em Ruanda, na África, o parlamento é composto por 48,8% de mulheres. Na Suécia são 45,3%, e na Argentina, 35%. “Os partidos brasileiros precisam entender que as mulheres são importantes dentro do processo político”, afirma Majô.
Segundo a presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina de Bauru, Haydée das Dores de Souza, as mulheres foram educadas, ao longo da história, para cuidar da casa, dos filhos e do marido. De acordo com ela, esse equívoco tem de ser corrigido.
Para isso, é preciso dar condições às mulheres de inserção ao mundo político. Haydée lembra que hoje a mulher sai do trabalho e precisa ir correndo buscar os filhos na escola ou creche e levá-los para casa, onde existem outras obrigações a serem cumpridas.
Para que a politização feminina funcione seria preciso ter um lugar seguro onde deixar os filhos enquanto a mãe cuida de política, ou então o pai assumir o papel de ficar com os filhos e cuidar da casa enquanto a mulher está fora.
“Essa é uma grande batalha. As mulheres precisam ser preparadas para ocupar seu lugar dentro da política. E isso leva tempo”, diz Majô.