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Cuidadoras atendem idosos em casa

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Se levar a vida já é difícil mesmo para pessoas com saúde e trabalho, imagine para deficientes e idosos. Além das limitações físicas que em diversos casos os impossibilitam de realizar serviços simples, existe também o descaso de algumas famílias. No entanto, um trabalho desenvolvido pelo Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus em parceria com a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) atende a essas pessoas em casa, ajudando nos afazeres domésticos, bem como higiene pessoal e até mesmo servindo como ombro amigo nos momentos de solidão.

Trata-se do Serviço de Atendimento Domiciliar a Idosos e Pessoas com Deficiência (SAD), que consiste na inserção de cuidadoras sem nenhum vínculo de parentesco dentro de lares das pessoas cadastradas. Atualmente são quatro contratadas para a função de visitar os 35 atendidos pelo programa. “Elas realizam serviços de higiene pessoal e do ambiente doméstico, administração de medicamentos, preparo de refeições, acompanhamento a médicos e outros recursos da comunidade, com o objetivo de estimular a autonomia do idoso preservando-o em seu ambiente doméstico e em sua comunidade, livrando-o da institucionalização”, explica Andreza Aparecida de Lima, psicóloga do projeto.

Esse trabalho é desenvolvido desde 2005. Atualmente, as quatro funcionárias trabalham no limite do número de pacientes atendidos. “Essas pessoas são encaminhadas por instituições sociais de amparo a idosos e pacientes, pelos Centros de Referência da Assistência Social (Cras, Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e médicos do Programa Saúde da Família (PSF). Logo após é feita uma visita para o diagnóstico dos serviços que a pessoa mais precisa e da quantidade de dias que a cuidadora precisará visitá-la durante a semana”, explica Andreza.

A psicóloga destaca a importância das visitas periódicas a essas pessoas que passam horas, às vezes dias, longe do convívio social com amigos ou parentes. “Existem casos de depressão leve pelo fato de não ter ninguém com quem conversar. Eles sentem a necessidade de contar histórias. E o resultado de tudo isso é muito bom, tanto na prevenção de doenças como de problemas psicológicos”, destaca.

Dominó, papo e violão

Há cerca de um mês, o tempo passa mais rápido na vida de Newton de Oliveira, 51 anos. Preso a uma cadeira de rodas, seqüela causada por um acidente vascular cerebral, o ex-técnico de futebol recebe visita da já amiga Marilene Vieira da Silva, que o ajuda a tomar banho, cortar a barba e, entre outros afazeres, o faz se sentir bem, jogando conversa fora e perdendo partidas de dominó.

O palmeirense Newton é o único sobrevivente de uma família de 13 irmãos. Como nunca se casou, hoje ele vive completamente sozinho numa casa de três cômodos do Jardim Ivone. Para ele, o simples ato de tomar banho é encarado como uma tarefa impossível de ser realizada sozinho.

“Antes delas aparecerem (equipe do SAD), eu não conseguia tomar banho direito. Hoje a minha higiene melhorou 100%. Além disso, como geralmente não recebo visitas, ela me ajuda conversando. Quando nos vemos, quero contar tudo o que me aconteceu”, conta.

Já Benigno José de Santana, 67 anos, não está preso a uma cadeira de rodas, mas tem saúde delicada devido a diabetes, hepatite e gastrite crônica. Ele mora sozinho há 20 anos numa casa da Pousada da Esperança e só recebe visitas anuais do casal de filhos que mora em São José do Rio Preto.

Sua cuidadora é Maria Aparecida Queiroz. Em meio a uma visita ao médico ou trabalho doméstico, sempre sobra um tempinho para uma boa prosa e, de vez em quando, uma moda de viola. “Quando elas começaram a me visitar, eu estava muito debilitado. Elas me dão uma força tremenda. É um apoio que eu não tenho. Uma verdadeira bênção”, finaliza.

Não existe expectativa de ampliação desta rede de atendimento. Os interessados em figurar no programa devem procurar os Cras ou Creas mais próximos de sua residência ou mesmo médicos do PSF.

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