A partir de hoje, os moradores dos bairros de Bauru que contam com coleta seletiva de lixo já podem incluir mais um item nas suas sacolinhas de recicláveis. Além de vidro, lata e papel, os funcionários da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) agora também irão recolher óleo de cozinha usado e armazená-lo na Central de Reciclagem do Jardim Redentor. Para a população é simples: ao invés de jogar o produto pelo ralo, basta acondicioná-lo em garrafas pet e colocá-las na rua, ao lado dos outros itens reaproveitáveis. Em contrapartida, os rios que cortam a cidade, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) e a própria população agradecem.
Os rios porque deixam de receber o poluente - apenas um litro é capaz de contaminar um milhão de litros de água. O DAE, porque deve reduzir em 20% o número de reparos na rede de esgoto – o óleo é um dos dejetos que mais entopem a rede esgoto. Além disso, gastará menos dinheiro para fazer, de forma satisfatória, o tratamento de esgoto quando a estação for inaugurada. Para os cooperados da Central de Reciclagem, a coleta de óleo representará aumento nos rendimentos e para a população da cidade em geral, garantia de rios mais limpos.
Em Bauru, a estimativa é que mensalmente 160 mil litros de óleo de cozinha sejam dispensados. Se toda essa quantidade for jogada nos rios, é capaz de poluir 160 bilhões de litros de água. No entanto, uma empresa da cidade já recolhe, mensalmente, cerca de 30 mil litros de óleo de cozinha usado. O produto é re-refinado e vendido para reciclagem. A expectativa é que esse número salte para pelo menos 40 mil litros após o início da coleta da Semma.
Para isso ocorrer, foi construída uma caixa de armazenamento de 10 mil litros de óleo na Central de Reciclagem do Jardim Redentor. O óleo será armazenado no local e revendido para empresas interessadas em reaproveitar o produto. Já o dinheiro apurado com a atividade será destinado aos cooperados. “As pessoas que trabalham na cooperativa já receberam treinamento e estão aptas para manusear o produto”, ressalta Rodrigo Agostinho, titular da Semma.
Uma das empresas que irão comprar o óleo armazenado é exatamente esta que re-refina o produto em Bauru. Atualmente, a emrpesa capta o dejeto em restaurantes, lanchonetes, cozinhas industriais e alguns condomínios da cidade. Após ser processado, o óleo é vendido para outras empresas que o utilizam de várias formas. “Serve como amaciante de couro, óleo para caldeira, produção de ração animal, entre outros. Mas não é possível ser ingerido”, explica Ivan Menezes, consultor ambiental da empresa.
Coleta seletiva
A Semma calcula que, com ampliação a partir desta semana, 70% da cidade contarão com a coleta seletiva de lixo. Os novos bairros que serão atendidos são Jardim Jussara e Núcleo Habitacional Joaquim Guilherme de Oliveira, às terças-feiras, e Granja Cecília, às quintas-feiras. A Semma, que coordena a coleta seletiva, fará divulgação e implementará ações de educação ambiental nestes bairros.
Apenas os bairros não urbanizados e aqueles da periferia onde existem muitas ruas de terra não fazem parte, ainda, da rede de reciclagem. Os funcionários do recolhimento se dividem nos três caminhões disponíveis para fazer o serviço e passam de casa em casa retirando os materiais reaproveitáveis, sempre no início das manhãs e das tardes, cumprindo um cronograma de bairros. Mais informações sobre horários e bairros que fazem parte da coleta seletiva na Semma pelo telefone 3235-1105.
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Entupimento distante
Segundo o diretor da divisão técnica do DAE, Ivaldo Bressan, a maior parte da população elimina o óleo de cozinha usado através do sistema de esgoto da cidade. Esse ato rende cerca de 156 atendimentos mensais para reparos em encanamentos entupidos. “Em época de seca temos em média 780 ocorrências relativas ao esgoto e 20% delas são em decorrência desse tipo de problema”, revela.