Muita gente iniciou a semana com o bolso um pouco mais cheio de dinheiro. O governo começou a pagar ontem a primeira parcela do décimo terceiro salário dos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de algumas empresas privadas que também costumam antecipar a liberação do benefício extra. O momento, entretanto, merece cautela e muito planejamento, segundo recomendam especialistas financeiros.
Antes de sacar o abono e sair gastando, é importante levar em consideração as dívidas existentes, assim como se deve lembrar das despesas do começo do ano, inclusive do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
“Por isso, planejar o orçamento agora é extremamente importante. Muitas pessoas, inclusive, também terão de arcar com os gastos de matrícula e material escolar. Tudo isso deve ser colocado na ponta do lápis, porque décimo terceiro só se recebe uma vez no ano. Lá na frente, esse dinheiro pode fazer falta”, pontua o economista Geraldo Pineli.
Para muitas pessoas, o dinheiro extra que vem com o abono de final de ano significa a oportunidade para sair do vermelho e recuperar o crédito na praça. A gerente financeira Gislaine Zaneti aconselha os trabalhadores que já começaram a receber o décimo terceiro salário a usá-lo na liquidação de dívidas.
“Pagar dívidas atrasadas deve ser a prioridade. Se houver troco, recomendo poupá-lo para as compras de Natal, assim, evita-se começar o Ano Novo endividado e sem conseguir dormir à noite”, ressalta.
Dívidas
Pineli concorda com a gerente. “Quem está com os compromissos atrasados deve aproveitar esse dinheiro para regularizá-los, porque os juros são significativos. Quanto antes liquidar essas pendências, menos se gastará com o pagamento de juros”, acrescenta.
Para quem está precisando comprar alguma mercadoria, mas pensa em deixar para o final do ano, o economista sugere que faça a compra agora, já que o mercado ainda não está aquecido. “Nesse momento, o consumidor tem mais chances de negociar. Em dezembro, as chances são menores porque o consumo aumenta. Essa recomendação, no entanto, é válida para quem não está endividado e que esteja, de fato, precisando comprar alguma coisa”, completa.
Dependendo do valor recebido, Pineli recomenda poupar uma parte, ou na poupança, que segundo ele é mais seguro, ou em fundos de renda fixa. As aplicações em caderneta de poupança estão mais interessantes, conforme especialistas, por conta da queda da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). Isso fez com que a rentabilidade dos outros fundos baixasse, conseqüentemente. No entanto, as taxas de manutenção do serviço não oscilaram para baixo, mas continuaram estáveis. Esses custos não são cobrados dos investidores da poupança.