Marília - Durante cerca de quatro horas, um funcionário do Departamento de Estradas e Rodagens (DER) fez reféns, ontem, seis colegas de trabalho em Marília (100 quilômetros de Bauru). Aparentando desequilíbrio emocional, Aílton de Almeida, 55 anos, aprisionou o grupo de homens sob a ameaça de um revólver, uma faca e três explosivos caseiros.
Ele explodiu uma bomba dentro do banheiro da sala usada como cárcere. Conforme apurou o JC, o acusado chegou a espalhar gasolina no local e ameaçava atear fogo.
Os funcionários foram feitos reféns às 7h45, em um sala do prédio. Inicialmente, cerca de 11 funcionários ficaram presos. Alguns conseguiram fugir e um deles passou mal e desmaiou. Foi retirado do lugar e recebeu atendimento médico. Com seis reféns sob a mira de uma arma, Almeida iniciou as negociações com a Polícia Militar (PM), que se estenderam por quase quatro horas.
No entanto, por volta das 11h54, os policiais detiveram Almeida pondo fim ao sequestro. Almeida se descuidou e foi dominado no momento em que dois policiais conseguiram se aproximar simulando uma entrevista para TV.
Ninguém ficou ferido e Almeida foi levado para o Hospital das Clínicas de Marília, onde permanecia sob escolta policial até o fechamento desta edição.
Inicialmente, foi elaborado um boletim de ocorrência sob a acusação de seqüestro, cárcere privado e porte ilegal de arma. A DIG aguarda a liberação médica para interrogar o acusado.
Conforme o delegado-assistente Cléber Pinha Alonso, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), o registro de arma apresentado pelo acusado não correspondia à arma apreendida.
As circunstâncias demonstravam que o sequestro poderia seguir por algum tempo. Além das armas, bombas caseiras e gasolina foram encontrados em poder de Almeida quatro maços de cigarro e alimentos, como frutas e presunto.
Isso leva a supor que o acusado se preparou para manter as vítimas em seu poder por um longo tempo.
Reivindicações
Almeida não reivindicava nada em particular. Conforme o delegado-assistente Cléber Pinha Alonso, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), durante o período que manteve os reféns, ele falava coisas desencontradas.
“Ele só dizia que estava sendo injustiçado. Pelo que nós vimos, ele tinha aparente desequilíbrio emocional”, ressalta o delegado. Familiares disseram que Almeida dizia estar sendo perseguido, se trancava em casa e recusava ajuda médica.
Enquanto mantinha seis reféns, pedia a presença da imprensa porque pretendia ler uma carta onde listava os problemas que estaria enfrentando no emprego.
Segundo apurou o JC, ele construiu uma moradia irregular em terreno do DER e a residência foi demolida pelo órgão.
Almeida se dizia inconformado pelo fato de ter se afastado do trabalho e, ao retornar, outra pessoa estar ocupando seu posto, na unidade de conservação de vias em Marília, ligada à regional do DER em Assis.
Em outra função, Almeida estaria recebendo um salário inferior ao de encarregado, cargo que ocupava até o meio do ano de 2006.
A reportagem apurou que o funcionário solicitou seu afastamento em julho de 2006 para resolver problemas pessoais. DE acordo com informações de uma fonte, enquanto esteve afastado, Almeida não teria recebido salários pois solicitou suspensão de contrato por seis meses.
Ele é funcionário do DER desde 1983 e atuava na manutenção de rodovias. As informações obtidas pelo JC foram confirmadas em parte em nota pelo DER, por meio de sua assessoria de imprensa.
Porém, até o fechamento desta edição, o órgão não havia respondido se o funcionário havia sido rebaixado de cargo e com vencimentos menores.
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Dia de pânico no DER
Marília - Seria mais uma segunda-feira comum para os funcionários do Departamento de Estradas e Rodagens (DER) que chegavam para trabalhar na unidade, localizada na avenida da Saudade em Marília
No entanto, contam as vítimas, Aílton de Almeida insistiu para que todos fossem para uma sala, usando o pretexto de que haveria uma reunião. A insistência era o sinal que algo não estava bem com Almeida. Quando todos estavam na sala, ele sacou um revólver cabibre 38.
Quem tentou fuga, foi reconduzido ao cômodo. Ele explodiu uma bomba caseira no banheiro da sala, provocando trincas no vaso sanitário e estilhaçando os vidros da janela. Almeida espalhou gasolina no cômodo.
Segundo informações da Polícia Militar (PM), que negociou a libertação dos reféns, ele aparentava estar transtornado e ter problemas psicológicos. Familiares, no entanto, disseram que Almeida sofre de síndrome do pânico e que, apesar de incentivá-lo a fazer tratamento, ele teria se recusado. O filho Diogo Almeida chegou a afirmar para a impresa que o pai tinha problemas psicológicos.
Todos os reféns foram liberados e ninguém ficou ferido durante o ocorrido.