Nacional

Presidente da Anac desafia Nelson Jobim

Por Alceu Luís Castilho | Da APJ especial para o JC
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Diante de um público que lhe era simpático, o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) resolveu falar com todas as letras o que pensa das pressões para deixar o cargo. “Ninguém vai me enxovalhar, ninguém vai dizer a hora que eu tenho de sair”, afirmou, durante reunião do Conselho Nacional de Turismo, em referência ao ministro da Defesa, Nelson Jobim.

Egresso do Ministério do Turismo, Milton Zuanazzi falava para dezenas de conselheiros que eram seus colegas no tempo em que foi diretor da pasta. Seu discurso foi motivado por uma leitura de desagravo à sua permanência na Anac. Ele foi aplaudido de pé pelos conselheiros e por duas vezes tentou iniciar seu discurso, mas não conseguiu. Segurou o choro e acabou indo às lágrimas. Quando falou, foi em tom agressivo, contra a mídia e com o recado para o ministro Jobim. “As acusações vêm como manada”, afirmou. “Antes de vocês me apoiarem (em texto de apoio divulgado há alguns dias), eu estava sendo qualificado de incompetente e de estar no cargo por indicação política. Desafio qualquer um a discutir aviação civil comercial comigo, seja nacional ou internacional.”

Zuanazzi contou que abriu mão de seu sigilo bancário, fiscal e telefônico, para as duas CPIs do Apagão Aéreo, na Câmara e no Senado. “Está lá, mas ninguém divulgou isso”, afirmou, reclamando da mídia. “Os indícios contra mim são críticas baratas, requentadas. O nível de pressão é brutal”.

Após enumerar episódios-chave da crise aérea recente no Brasil (implosão da Varig, acidente com Boeing da Gol, protesto dos controladores de vôo), o diretor da Anac disse que a crise do apagão “acabou no dia 23 de junho”. “Nesse dia retomamos o controle do tráfego aéreo no Brasil”, declarou.

Segundo ele, em seguida a essa “retomada” ocorreu o acidente com o Airbus da TAM, sobre o qual muita gente estaria falando besteira. “Dizer que o aeroporto de Congonhas é inseguro é uma heresia”, disparou. “Se fosse inseguro não poderia viajar nenhum avião. O aeroporto é limitado, tem limitação de aeronaves, de peso, é outra coisa”.

Ao acidente teria se sucedido uma onda de ataques inicialmente ao governo, e depois à Anac. Foi quando ele disse que o ministro Jobim só falou para a mídia sobre troca total de diretoria. Zuanazzi disse que erros foram cometidos. Mas que boa parte das “acusações” não diz respeito à Anac. O “primeiro erro” teria sido a própria lei que criou a Anac, que segundo ele deu “responsabilidade política” à agência.

Comentários

Comentários