O deserto australiano, quente e ensolarado o ano todo, é o local escolhido para a construção de uma torre de 500 metros de altura, maior que o edifício mais alto do mundo, o Petrona Towers, na Malásia, com seus 88 andares.
A gigantesca estrutura metálica será a primeira usina comercial de energia solar do mundo, da EnviroMission, companhia de energia renovável de Melbourne. Roger Davey, responsável pelo investimento, acredita que a torre vai revolucionar a produção de energia limpa do planeta.
O projeto da EnviroMission difere dos projetos que já existem, que aquece água ou converte energia solar em energia elétrica. Nele, uma grande estufa de vidro é construída em torno da torre, em forma de disco, de 60 mil hectares, o ar aquecido sobe para a torre onde estão as turbinas geradoras de energia. Tanques de água salgada serão usadas para absorver a luz durante o dia e para aquecer o ar e para produzir eletricidade à noite.
A EnviroMission investirá US$ 700 milhões. Inicialmente, a capacidade energética da torre daria para atender 100 mil domicílios, sem emitir poluição. Os australianos acreditam que este meio seja mais barato que os já existentes.
O projeto pode ser viável no Nordeste brasileiro, já que temos muita terra árida. Precisa-se verificar se é eficiente e viável economicamente. Se é que vai sair do papel mesmo, já que conheço esta idéia há mais 20 anos.
Já no município de Nova York, o prefeito Michael Bloomberg quer que os edifícios públicos da cidade sejam equipados com painéis solares para gerar eletricidade. Ele vai abrir um concurso público para a instalação de painéis solares e o vencedor instalará os painéis solares e os manterá por 20 anos. A cidade comprará a eletricidade produzida. Bloomberg quer que 18% da energia que a cidade consome seja solar em 2022.
O Município vai promover a utilização de energia solar oferecendo descontos no imposto predial. Na prática, a prefeitura vai bancar 35% do custo dos painéis solares. A instalação dos painéis custa US$ 10 por watt.
Bloomberg ainda inaugurou a primeira instalação hidroelétrica cinética do mundo na Ilha Roosevelt, em frente ao edifício das Nações Unidas. Uma empresa especializada em energias marinhas renováveis, a Verdant Poewr Inc, instalou várias turbinas no fundo do rio Este (East River), entre a Ilha Roosevelt e o Queens.
Essas turbinas tem funcionamento semelhante aos cata-ventos que coletam energia eólica, só que funcionam com o fluxo das marés.
Se esse projeto-piloto demonstrar ser viável, serão instaladas no leito do rio 300 turbinas que produzirão eletricidade suficiente para oito mil residências.
O autor, Mário Eugênio Saturno, é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - Inpe - e-mail: mariosaturno@uol.com.br