Dois policias militares de Bauru morreram na tarde de ontem após capotar a viatura em um acidente. Eles tentavam abordar o motorista de um Celta que pouco antes havia batido em uma outra viatura da Polícia Militar (PM) que fazia a escolta de duas vans com adolescentes da Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (Casa), antiga Febem, na rodovia Marechal Rondon.
O motorista do Celta, Evandro Boso Romanholi, 24 anos, que conduzia o veículo, teria “fechado” a viatura do soldado Gilberto Gomes Martins, 30 anos e do sargento Ricardo Luís Profheta, 43 anos. O carro da polícia capotou e Gilberto teria sido arremessado para fora do veículo. Profheta chegou a ser levado ao Pronto-Socorro Central, mas morreu ao dar entrada na unidade. Gilberto já chegou sem vida.
De acordo com o advogado da família, Romanholi sofre de esquizofrenia e pegou o carro escondido dos pais durante uma crise. Ele foi preso em flagrante por homicídio qualificado por motivo fútil.
Por volta das 15h30 de ontem, uma viatura da PM de Bauru escoltava duas vans que transportavam 12 adolescentes internos da Fundação Casa da cidade, que estariam voltando de uma partida de futebol disputada em Botucatu. Ao transitar pela Rondon na altura da Universidade Paulista (Unip), o Celta de Romanholi, que ultrapassava pelo lado direito da rodovia – o comboio ocupava a faixa da esquerda – atingiu a viatura policial. Pouco depois, voltou a bater na lateral direita do veículo e seguiu no sentido Capital-Interior.
Preocupados com a possibilidade de resgate de adolescentes, os policias que estavam na viatura acionaram o Centro de Operações da PM (Copom), informando as características do veículo. Para fazer a abordagem do Celta, que já havia escapado de outros policiais, a viatura de Profheta e Gilberto, que atuavam na área da Base Comunitária Noroeste, se dirigiu à rodovia e passou a acompanhar o veículo de Romanholi, que é morador de Lençóis Paulista.
Acidente
Ainda na Rondon, mas pouco depois do trevo de acesso à Bauru-Marília, o Celta bateu na viatura. O veículo policial rodopiou e capotou algumas vezes. O Celta parou poucos metros depois, dentro da canaleta que divide as pistas. Uma segunda viatura, que seguia para apoiar a abordagem, foi atingida por pedaços de um dos veículos – provavelmente por destroços da viatura da PM, que ficou destruída.
Os policiais que estavam nas outras viaturas de apoio acionaram os bombeiros e o Serviço de Atendimento Médico de Urgência para socorrer Gilberto e Profheta. Várias viaturas da polícia posicionaram-se em cruzamentos de avenidas para liberar o trânsito visando agilizar o socorro. Em apenas cinco minutos, as unidades de resgate, escoltadas por viaturas da PM, saíram da Marechal Rondon, passaram pelas avenidas Cruzeiro do Sul e Duque de Caxias, chegando ao Pronto-Socorro Central. No entanto, Profheta morreu ao dar entrada na unidade. Gilberto já chegou morto. O condutor do Celta não sofreu ferimentos. Ele foi autuado em flagrante por homicídio.
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Família
A mulher do sargento Ricardo Luís Profheta, Soraia, de 35 anos, chegou ao Pronto-Socorro Central por volta das 16h30, bastante apreensiva. Após receber a notícia de que o marido havia morrido no acidente, Soraia foi levemente sedada pelos médicos para poder retornar à sua casa e preparar a farda que o marido será enterrado.
“Ela é cardecista (espírita), então tem um bom preparo espiritual para receber uma notícia como essa. Mas é lógico que ela está muito abalada, porque amava o marido de paixão”, contou uma amiga, que preferiu não se identificar. Soraia e Profheta, que neste ano comemorou 20 anos na PM, têm dois filhos gêmeos, de 11 anos, e uma menina, de 7 anos.
Gilberto estava há oito anos na polícia. Sua esposa está no final da gestação do primeiro bebê do casal. De acordo com colegas do policial, ao saber da morte de Gilberto, ela teria entrado em estado de choque e teve de ser levada à Maternidade Santa Isabel, onde ficou internada em observação.
Os corpos dos policiais estão sendo velados no salão nobre do Centro Velatório Terra Branca, na quadra 5 da rua Gérson França. O enterro está programado para às 16h de hoje, no Mausoléu da Polícia Militar, no cemitério Jardim do Ypê.