Bairros

Com 5.500 inscritos, Branemark só faz 8 implantes por mês

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 4 min

Em quase dois anos desde sua inauguração, o Instituto Branemark de Bauru concluiu o implante dentário em 190 pacientes e fez avaliação em 2 mil deles – uma média de 8 pacientes com o tratamento concluído por mês.

Atualmente, outros 5.500 estão na fila de espera. Se continuar no mesmo passo, todos que estão na fila serão atendidos no prazo de 57 anos. Dependendo do procedimento, o tratamento pode demorar anos, principalmente nos casos mais complexos, como os que o paciente sofreu mutilação.

Mas a fila de espera pode ser atendida um pouco mais rápido do que o esperado. O instituto prevê que 20% dos inscritos procuraram o serviço de forma errônea, acreditando que funcionasse como um consultório odontológico, realizando tratamentos de canal, por exemplo. Outros 30% possuem deficiência dentária parcial e, desde março deste ano, o instituto adotou sistema de seleção mais rígido, com a intenção de fazer implantes dentários apenas em pessoas totalmente sem dentes.

Anteontem, o vereador Faria Neto (PDT) disse na tribuna da Câmara que recebeu reclamação de um paciente que teve perda de quase todos os dentes devido a um acidente de trabalho. Ele teria se cadastrado na data seguinte à inauguração do instituto, mas só foi chamado em maio para atendimento.

Depois de passar pela triagem, ficou sabendo que teria que pagar R$ 6 mil pelo tratamento. “Não questiono a idoneidade (competência) do instituto, mas tenho que tirar satisfações do porquê o trabalho é cobrado”, diz. “Quando foi inaugurado, houve a promessa de que 80% dos atendimentos seriam gratuitos. Quero saber porque o instituto não é conveniado ao SUS (Sistema Único de Saúde)”, questiona. O vereador enviou um requerimento à prefeitura de Bauru pedindo esclarecimentos.

A coordenadora do Instituto Branemark de Bauru, Ingrida Ginters, ficou surpresa ao saber dos comentários. “Ele (vereador) não nos procurou em nenhum momento. Ele seria recebido de portas abertas. O livro com os registros e notas dos pacientes estão disponíveis para a consulta”, responde.

Ginters disse que desde o início das atividades o instituto atende, em 80% dos casos, gratuitamente. “Os pacientes passam por uma avaliação da assistente social, onde apresentam comprovantes de renda. Com base em toda documentação e entrevista é que fica definido se a pessoa tem condições, ou não, de pagar pelo atendimento”, explica. Quando podem pagar pelo serviço, colaboram com, em média, 10% do valor total do tratamento.

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Atendimento gratuito

Segundo a dentista Raquel Caminha, o instituto solicitou, duas vezes, a celebração de um convênios para atendimento pelo SUS, mas só obteve respostas negativas. “Para se conveniar ao SUS, é preciso ter atendimento 100% gratuito e ainda não conseguimos encontrar uma maneira de fazer isso”, fala.

Ginters afirma que o Instituto Branemark sobrevive de doações – a maioria delas de voluntários e empresas da Suécia. Além disso, promove cursos voltados para dentistas no próprio instituto. Não tem verbas municipal, estadual ou federal.

O terreno foi cedido por comodato ao instituto por 10 anos (até 2015), mas o prédio foi construído com recursos próprios. Cirurgiões dentistas de vários estados do Brasil e até do exterior atendem voluntariamente no local. Entre eles, Hugo Nary Filho, que é responsável pelas cirurgias dentárias do instituto. “Geralmente, os casos atendidos aqui são graves, alguns com perda facial. Em vários casos, há na necessidade de aplicar anestesia geral no paciente”, diz.

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Tratamento demorado

A dentista Elisabeth Zanda Skorski, de Bauru, também é paciente do Instituto Branemark. Ela teve um tumor na face, em 2005, e faz tratamento no instituto desde 2005. Ontem, ela passou por uma das suas maiores alegrias na vida: finalmente colocou a prótese dentária. “Agora, posso sorrir muito”, disse. Durante meses, a paciente precisou ir ao instituto vários dias por semana.

Moradora de Belo Horizonte (MG), Fátima Casalechi esteve ontem no Instituto Branemark, pela quinta vez, para levar a mãe Terezinha Alkmin, 77 anos, ao tratamento dentário. A senhora teve câncer nasal, mas já passou por três cirurgias para reabilitação. Ela pagou R$ 4 mil pelo tratamento de valor estimado de R$ 14 mil.

“Fiquei sabendo do instituto em uma reportagem de uma revista em Belo Horizonte. Havia levado minha mãe no médico, quando li a matéria. Depois, liguei e a inscrevi”, disse. “Mesmo sendo longe, o instituto é bastante elogiado em Minas Gerais”, completa.

O custo total do tratamento de um paciente que teve perda dentária total, mas não teve tumor, pode chegar a R$ 30 mil.

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