Instigar através do papel para depois saciar pelo meio eletrônico. Esta é a proposta de dois estudantes de Bauru ao produzir o fanzine “Buzine” com lançamento previsto para este mês. De um lado do papel couché 180 gramas (geralmente utilizado para capas de revistas), os estudantes oferecem puro entretenimento, distribuído num tamanho A3; do outro, um pouco de cultura não comercial. Mais sobre tudo, só no site www.bibifonfon.com, que entrará no ar simultaneamente ao lançamento do fanzine.
O layout e a execução dos produtos são de autoria de Fernando Marar, um jovem de 17 anos que seguiu os conselhos do pai e fez bom uso da Internet para transformar o período das férias escolares de julho em algo produtivo. “Agora, tenho vontade de pesquisar mais e mais coisas pela Internet e espero que outras pessoas se sintam estimuladas também”, afirma Marar, aluno do terceiro ano do ensino médio.
Com muito para falar e sugerir, o estudante optou pela síntese para limpar o produto final. “Textos extensos poluem o trabalho. Por isso, uso letras grandes para estimular as pessoas a lerem e, se elas se interessarem pelo conteúdo poderão ver mais no site”, conta o jovem. A preocupação estética também norteou a escolha do espaço destinado às propagandas. A fim de evitar a poluição visual, os 25 patrocinadores conquistados até agora terão seus nomes nas margens do conteúdo.
Processo
A primeira edição mensal, que terá 10 mil exemplares distribuídos gratuitamente em pontos estratégicos da cidade, trará piadas inteligentes sobre situações reais, curiosidades, além de sugestões de filmes e bandas alternativos, como a francesa Tryo. “Vamos mostrar uma cultura não convencional, a qual poucas pessoas têm acesso pela mídia”, diz Marar.
A verba para custear a tiragem, estimada em R$ 2,5 mil, foi batalhada por outro estudante e amigo de Marar, Douglas Nicolau, também de 17 anos. “Conseguir patrocínio foi complicado e demorado, porque as pessoas ainda não têm muita confiança em um projeto apresentado por dois adolescentes”, lamenta Nicolau.
Com expectativa de maiores patrocínios num futuro breve, os adolescentes pretendem utilizar parte do recurso – hoje destinado exclusivamente para a impressão dos fanzines – para financiar a apresentação de bandas e companhias de teatro. “Bauru tem poucas atrações e pretendemos trazer grupos com qualidade e que não têm muito espaço na cidade”, afirma Marar.