Pesca & Lazer

História de pescador: O rancho dos amigos


| Tempo de leitura: 4 min

Lá se foram os bons tempos das pescarias no rio Batalha. O que deixamos de fazer com a passagem do tempo são passados inesquecíveis que não voltam mais. Agora somente resta a lembrança, como a minha, um pescador fanático pelo rio Batalha, que ainda corre mansamente cercado de matas nativas. Quantas noites debaixo das árvores...

Muitos anos se passaram, desde quando ali pescava, era o tempo dos sonhos e realizações. Continuo ainda pescando, entretanto hoje mais cauteloso e menos impetuoso como na juventude. Atualmente possuo como riqueza grandes amigos, um rancho alugado na beira do rio Tietê no patrimônio de Marilândia, próximo de Arealva. É uma terra abençoada por Deus, pois quem ali pesca não esquece jamais.

Eu com meus amigos, a quem dedico toda a minha admiração, são companheiros e sócios do rancho, Dorival, Roniel, Antonio Carlos, Leonardo, Vicente e Onofre, o autor desta história, e suas mulheres. É uma parceria que já dura oito anos. Considero todos como irmãos, pois é o que são e também não esqueço dos amigos anteriores, que hoje não fazem mais parte da equipe, mas que também foram muito importantes, como os sócios atuais que todos os finais de semana lá se encontram.

De todos os sócios somente um não pesca, nem na beira do rio chega, somente entra no bote quando fica alterado, os demais, alterados ou não, estão sempre no rio pescando. Nos divertimos muito, churrasqueamos mais ainda e aí vão algumas latinhas, não deixando do jogo de truco, que é o passatempo noturno preferido. Cada um dos participantes com uma história interessante e com comportamentos diferentes, dependendo do grau em que se encontra.

O Vicente cunhado, que quando exagera na latinha cai na piscina e toca magistralmente violino, porém, sem violino e dança à sua maneira dentro da água; o Dorival, nativo de Reginópolis, além de ótimo churrasqueiro, ainda faz um doce de abóbora muito saboroso - é só trazer a abóbora e o doce já sai pronto -, tem um salva-vida que mais parece farda de astronauta, dá gosto vê-lo fantasiado, já que como pescador é um fracasso total.

Outro companheiro é o Leonardo, bom pescador, é o único que trabalha no rancho, não recusa nenhum serviço, gosta muito de tomar uma caipira de vodka, nessa hora sua guarda-costa, Vera, ótima pescadora, não pode estar nas proximidades. O Antonio Carlos, mais conhecido como Fio, também cunhado, que não era chegado à pescaria, pegando o primeiro peixe, até hoje não perde nenhuma oportunidade de embarcar junto com os demais, inclusive suas filhas gêmeas de 13 anos, que nunca haviam pescado, agora são também fanáticas pescadoras depois que pescaram corvinas de até 1 quilo, que o pai nunca pegou, outro fracassado como pescador, mas um fanático do churrasco e de uma latinha.

Agora o Roniel, que se considera o melhor pescador da turma, diz que só pesca no Mato Grosso e se intitula exímio pescador, sem nenhuma modéstia. Todos concordam por que é o que mais pesca e traz o peixe para a turma almoçar ou jantar, conta muitas histórias das pescarias lá no Mato Grosso, muito exibido das suas experiências como pescador, sempre pegando o maior peixe.

Um dia no estaleiro do rancho, aconteceu o caso mais espantoso: Roniel lançou sua linha e logo depois começou a gritar para os demais amigos para que vissem o tamanho do peixe que havia pescado. Todos ficaram ansiosos para ver o que era, pois a linha não estava suportando.

Com sua experiência, Roniel dava linha cada vez que sentia que não agüentaria. Tudo isso tomou quase uma hora. Ele não queria puxar com medo de perder o peixe, que quando estava próximo da superfície tornava a afundar. E todos ali torcendo para tirar o peixe, era uma algazarra tremenda, os colegas, as mulheres e crianças. Com a gritaria, começaram a chegar pessoas de outro rancho vizinho, também para apreciar a retirada do peixe.

Quando Roniel conseguiu levantá-lo, o que apareceu preso no anzol não foi nenhum peixe, foi um toco muito grande, que afundava e voltava próximo a superfície sem que se pudesse ver o que era. Como ele se vangloriava de ser um exímio pescador, foi uma gargalhada de todos que ali estavam, foi o fim de um pescador mentiroso.

Quando o tempo novamente passar, ficará somente a lembrança e a saudade dos belos momentos que passei junto com esses amigos, a quem muito considero e dedico esta história como um agradecimento pela amizade de todos eles a este velho pescador de ilusões.

José Onofre Roda é pescador e contador de histórias.

Comentários

Comentários