São Paulo - O diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Leur Lomanto renunciou ao cargo na tarde de ontem. É o terceiro diretor que deixa a agência desde o dia 24 de agosto, quando Denise Abreu renunciou.
A agência informou que Lomanto protocolou sua renúncia por volta das 14h no Ministério da Defesa. “Apesar do ataque sistemático de várias e poderosas forças, a Anac vem cumprindo seu papel com eficiência, não se curvando a pressões, quaisquer que sejam, sempre procurando atender ao usuário e proporcionando cenários em que as companhias aéreas pudessem competir com regras claras, dentro de uma economia de mercado. Se colocada em uma balança isenta de paixões e emoções, a Anac acertou muito mais que errou ao longo de sua trajetória”, diz nota assinado por Lomanto.
Desgastada por quase um ano de crise aérea, pela tragédia do vôo 3054 e pela acusação de que teria apresentado um documento sem validade à juíza Cecília Marcondes, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3.ª Região, Denise Abreu, não resistiu.
Indicação
O ministro Nelson Jobim (Defesa) encaminhou ontem para a Casa Civil a indicação do nome do brigadeiro Alemander Jesus Pereira Filho para ocupar uma das diretorias da Anac. Ele deve ocupar uma das três vagas abertas pela renúncia dos ex-diretores Denise Abreu, Jorge Luiz Veloso e Leur Lomanto. Da antiga diretoria, só restaram dois nomes: Milton Zuanazzi e Josef Barat.
Segundo informações de integrantes do Planalto, Alemander iria para o lugar de Veloso,que pediu demissão na semana passada. Jobim ainda procura substitutos para as vagas de Denise e Lomanto.
Jobim se reuniu ontem com os deputados Rocha Loures (PMDB-PR), Pepe Vargas (PT-RS), Carlos Zarattini (PT-SP) e Efraim Filho (DEM-PI) - integrantes da CPI do Apagão na Câmara. Segundo eles, o ministro estuda tomar medidas a curto e a médio prazo para os problemas detectados na Anac.
A proposta em estudo prevê a criação de uma secretaria de aviação civil - medida que está em estudo na Casa Civil. Pela proposta, a Anac ficaria responsável apenas pela regulação e fiscalização das empresas aéreas no país. A secretaria seria responsável pela concessão de linhas e alterações de rotas.
De acordo com os parlamentares que integram a CPI do Apagão na Câmara, Jobim considera as modificações viáveis, mas aguarda a conclusão de algumas análises e a inclusão de novas propostas relacionadas ao assunto. No próximo dia 18 os deputados devem se reunir novamente com o ministro da Defesa.