Duas empresas do grupo Votorantim - Alellyx e CanaVialis, ambas com sede em Campinas - devem iniciar pesquisas para criar uma cana mais resistente ao glifosato (herbicida que elimina plantas invasoras) e com capacidade de matar insetos agressores sem o uso de inseticida. O plano é disponibilizar as primeiras mudas para comercialização em 2009.
O projeto será desenvolvido a partir de uma parceria com a Monsanto, dona dos genes RR (usado na soja transgênica) e BT (usado no algodão transgênico), que devem ser aplicados à nova variedade de cana. Os genes foram liberados em 2005 e 2006, respectivamente, para comercialização pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBio) e pelo Ministério da Agricultura, que consideraram os estudos e as amostras dentro dos padrões de biossegurança.
O acordo tecnológico é inédito na América Latina, segundo as empresas, e insere a Votorantim no mercado internacional de genes funcionais - área recente no País e que pode gerar bilhões de dólares em royalties. A parceria permite que a Monsanto tenha acesso a genes criados pela parceira.
Os valores do acordo de mão dupla não foram divulgados, mas a Monsanto terá participação percentual na comercialização das variedades com os genes e vice-versa. A Alellyx terá uma vantagem adicional nesta parceria.
Ela poderá se beneficiar de um recente acordo entre as multinacionais Monsanto e a Basf, que agora uniram esforços para promover a pesquisa em transgenia - juntas, elas investem US$ 1,5 bilhão por ano na área, o que cria vários genes funcionais que poderão ser agora acessados pela Alellyx e aplicados, além das pesquisas com cana, em laranja e em eucalipto.
Os pesquisadores das empresas começaram a avaliar em maio como os genes em estudo pela Alellyx podem ser usados no desenvolvimento de variedades mais fortes e produtivas das especialidades da Monsanto, como soja, milho, algodão, canola e hortaliças. A empresa de Campinas desenvolve estudos sobre 20 genes que podem dar a plantas maior produtividade e resistência à seca.
Outro impulso ao acordo são os R$ 39,2 milhões liberado pelo BNDES na última segunda-feira para as duas empresas da Votorantim. Os recursos foram requisitados para projetos de desenvolvimento genético, como o das variedades de cana com genes BT e RR. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa Alellyx, mas, em cinco dias, ninguém da empresa foi designado para dar entrevista. Também não conseguiu falar com a CanaViallis.
A assessoria da Monsanto, por sua vez, disse que o portador oficial do acordo é a parceira Alellyx. A Monsanto e mais duas multinacionais - Syngenta Seeds e Dow Agrosciences - aguardam parecer técnico da CTNBio para iniciar a comercialização de milho transgênico, que pode ser produzido nas unidades das empresas em Barretos, Jardinópolis, Cravinhos, Matão e Ipuã.