Polícia

Médico fica preso quase 24h por injúria

Por Lígia Ligabue | Colaborou Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Após passar a noite na cela do Plantão Policial da Polícia Civil em Bauru e o resto do dia de ontem na Cadeia Pública de Avaí, o médico José Roberto de Toledo, preso anteontem acusado de injúria contra uma funcionária do Pronto-Socorro da Bela Vista, foi libertado no início da noite de ontem. A prefeitura informa que a Corregedoria vai apurar o caso. Na tarde de anteontem, ao iniciar o seu plantão na unidade de saúde, Toledo teria discutido com a recepcionista Alice Fortunato de Oliveira e a chamada de “negrinha”.

A agressão verbal teria sido presenciada por usuários e funcionários do Pronto-Socorro da Bela Vista. O caso foi parar no Plantão Policial, onde o médico foi preso em flagrante por injúria real, qualificada por ter ofendido a dignidade da pessoa em razão a sua cor da pele. De acordo com o Código Penal, a pena para o crime é de um a três anos de reclusão.

Procurada pela reportagem do Jornal da Cidade, Alice não quis conceder entrevista. De acordo com familiares, ela ainda está bastante abalada e passou o dia de ontem à base de calmantes. “Toda a família está arrasada porque ela está sofrendo muito. Ela jamais esperava passar por uma situação dessas”, afirma um irmão da recepcionista, que preferiu não se identificar. Informações da unidade de saúde onde ela trabalha dão conta que a funcionária antecipou as suas férias, que estavam previstas para o final desta semana, para ontem.

O depoimento de alguns funcionários públicos que preferiram não ter seus nomes divulgados apontam que o médico já teria entrado em conflito com outros colegas anteriormente. Em julho deste ano, ele teria ofendido uma funcionária da unidade de urgência e emergência. Um servidor informa que o caso de ontem foi mais grave do que o registrado. “Ele a chamou de coisas piores, xingou mesmo”, conta. “E são coisas que vêm acontecendo desde o ano passado”, disse.

De acordo com o funcionário, o médico teria chegado atrasado para trabalhar e, por isso, as consultas se acumularam. “Ela (a recepcionista) foi falar que tinha uma pessoa passando mal desde às 13h e ele acabou xingando ela”, conta. Já um colega de Toledo, que também pediu para não ser identificado, afirma que a discussão se deu porque ele teria pedido à recepcionista alertar os pacientes que o atendimento estava atrasado e ele estava atendendo sozinho no PS. Ela não teria atendido o seu pedido, o que motivou a discussão. “Não aprovo o que ele disse, mas é necessário analisar a situação do indivíduo”, avalia.

Por volta das 19h30 de ontem, Toledo deixou a Cadeia Pública de Avaí com alvará de soltura. O advogado do médico, Carlos Eduardo Cruz Nicolas, informa que vai analisar os fatos, esperar os depoimentos dos envolvidos para definir o que será feito. Sobre o episódio que resultou na prisão de seu cliente, ele diz que vai manter sigilo para preservar Toledo.

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Sindicância

Em nota divulgada à imprensa, a prefeitura de bauru informa que a direção da Secretaria Municipal de Saúde foi comunicada anteontem sobre o desentendimento entre dois servidores no Pronto-Socorro da Bela Vista. O secretário Mário Ramos se encaminhou até o local juntamente com o corregedor Durvalino Corrêa da Silva, da Corregedoria Geral Administrativa da Prefeitura.

Foi verificado, no local, que se tratava de injúria moral qualificada proferida por um médico contra uma das servidoras da unidade e, devido ao teor das ofensas, houve a lavratura de flagrante delito pela Polícia Civil.

Administrativamente, funcionários e testemunhas do desentendimento prestaram depoimento à Corregedoria, que irá apurar os fatos e adotará as medidas cabíveis no âmbito da administração municipal.

As penalidades disciplinares da prefeitura são advertência, suspensão, multa, demissão, destituição de cargo em comissão e destituição de função comissionada.

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