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Novos movimentos culturais


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Quero falar sobre cultura. Há dois meses fui convidado por um grupo de universitários a participar do lançamento de um movimento cultural que se auto intitulava, “Manifeto Putista”. A proposta no ato do convite era celebrar as produções pessoais e marginais, em matéria de poesia, prosa, dança e literatura em geral. “Produzir cultura de qualidade a preço de banana”.

Fiquei ansioso pelo convite e no dia do lançamento pude participar de uma das experiências mais profundas da minha vida, um misto de alegria, cultura e produção artística. Jovens que em meio a muitos sorrisos, eclodiam, com Fernando Pessoa, Mario de Andrade, Carlos Drummond de Andrade e produções pessoais de ótima qualidade.

O que senti é que em meio à padronização de gostos e estilos de lazer, no qual, a maioria das pessoas sempre fazem as mesmas coisas para se divertir, uma opção como esta de usar arte e a criatividade para a produção de cultura, torna-se um celeiro de idéias e de novas expressões de comportamento intelectual. Expressões que destoam com o ideário da grande maioria dos jovens que dedicam sua força e virilidade à reprodução de comportamentos e de modismos impostos por padrões comerciais e mercadológicos.

O ato destes jovens me faz pensar na pobreza estética e cultural que vivemos. A indústria cultural, impulsionada pelas mídias, cria padrões de comportamento, desejo e gosto, em vista do lucro, causando nivelamento de escolhas e o perfil de um indivíduo passivo, que não produz novas demandas, mas somente consome e reproduz modelos pré-fixados.

Chamaria de um “homem unidimensional” que se reconhece pelas escolhas impostas pela ideologia de mercado e sintetiza-se nela. Um homem previsível e infértil. Previsível na inércia de criatividade, que em meio a infinitas possibilidades sempre retorna às mesmas escolhas e infértil como conseqüência de sua passividade e repetição de padrões.

Um sujeito acrítico é interessante ao mercado, uma vez que é massa de fácil manipulação e é altamente lucrativo. O lucro como elemento de desumanização é a arma utilizada pela mão invisível do capitalismo, nivelar a cultura e criar indivíduos de uma só opção sempre foi o segredo para o lucro. Nesse sentido, torna-se redundante e não há qualquer surpresa em dizer que é altamente interessante à sociedade do lucro uma população de baixa exigência estética.

Em meio a uma mídia sensacionalista e de uma sociedade que inverte o “ser” pelo “ter” a iniciativa dos jovens poetas de produzir “cultura a preço de banana” soa como um grito por liberdade, de produção em meio a mesmice e o tédio. O ato em si destes jovens, pode ser considerado profético, em denunciar a pobreza e o lixo estético dos últimos tempos e anunciar, exortando a necessidade de novas produções e expressões em todos os sentidos, como uma forma de potencializar o homem e a sociedade.

Oxalá outras iniciativas “marginais” como esta eclodam Brasil a fora e aproximem a força da cultura de nossos jovens. Para que saiam das cavernas e sombras da padronização e vejam o mundo em si mesmo em toda sua beleza e esplendor e aprendam a criar com ele e para ele.

O autor, Fausi dos Santos, é filósofo e professor de História da Filosofia Contemporânea na Universidade do Sagrado Coração - Bauru-SP - e-mail: fsantos@usc.br

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