O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) vai analisar a postura do médico José Roberto de Toledo, preso por injúria na última segunda-feira após ter discutido com a recepcionista Alice Fortunato de Oliveira, no Pronto-Socorro da Bela Vista, onde ambos trabalham. Segundo o registrado em boletim de ocorrência, ele a chamou de “negrinha”.
Dependendo dos resultados das apurações, o profissional poderá até mesmo sofrer sanções éticas impostas pelo órgão colegiado. Toledo ficou quase 24 horas preso, mas foi liberado no início da noite de terça-feira com alvará de soltura. A Corregedoria Geral da prefeitura também vai apurar o caso. Ele não fazia parte da escala de plantão de ontem e, portanto, estava com folga previamente prevista para a quarta-feira.
A injúria real em virtude da ofensa à dignidade em razão da sua cor da pele é crime com pena que varia de um a três anos de reclusão. Anteontem, no calor dos fatos, o Cremesp preferiu não opinar a respeito da situação.
Mas ontem, após ampla divulgação do acontecimento na imprensa local, o órgão tomou uma decisão. “Em todas as oportunidades que são veiculadas denúncias ligadas à categoria temos como procedimento normal abertura de sindicância para apurar a realidade dos fatos”, afirma o conselheiro da entidade em Bauru, o médico Carlos Alberto Monte Gobbo.
Para ele, é preciso ter cautela e não é conveniente emitir qualquer tipo de opinião de forma equivocada. “Precisamos saber se realmente houve algum ilícito ético ou se o fato não passou de um desentendimento entre duas pessoas”, destaca. “Não temos função de defender ou acusar um membro, mas sim verificar se seu comportamento está de acordo com nosso código de ética”, completa.
Segundo Gobbo, não existe prazo fixado para que a análise do caso chegue ao final. No entanto, dependendo do resultado dos estudos a serem feitos, Toledo poderá sofrer punições por parte do Cremesp. “No nosso código de ética existem capítulos que discorrem sobre o comportamento do profissional e o respeito para com os demais colegas no âmbito do trabalho. Se o processo disciplinar apontar transgressão de alguma dessas normas, o médico estará passível de sanções éticas”, explica o conselheiro.
O material divulgado pela imprensa da cidade relatando o caso foi enviado ontem para São Paulo. Uma comissão irá analisar a situação. Dependendo do consenso entre os membros, o caso tanto pode ser arquivado quando pode dar início a um processo.
Ontem pela manhã, o advogado do médico, Carlos Eduardo Cruz Nicolas, informou que seu cliente se encontrava em casa repousando e se recuperando da situação. “Vamos aguardar que ele se recupere para podermos conversar e avaliar a situação e dar andamento ao caso”, afirma o advogado.