A correria da equipe de engenheiros e outros profissionais que trabalham no Grande Prêmio (GP) de Fórmula 1 é tanta que quase não sobra tempo para comer. Mas mesmo com todo o trabalho desgastante para deixar tudo em ordem até o dia da prova, eles precisam de um tempinho para se alimentar. O Buffet Guimarães, de Bauru, ficará responsável por servir as refeições para até 600 pessoas nos três dias de competições: 19, 20 e 21 de outubro, em Interlagos, São Paulo. É a 11.ª vez que a mesma empresa é contratada para este fim.
Dos integrantes das equipes, apenas os pilotos têm outra alimentação. “Eles têm uma dieta específica, à qual não temos acesso”, diz Dahyl Freitas Guimarães Junior, dono do buffet bauruense.
Mas, antes de se aposentar, em 2005, o alemão Michael Schumacher (sete vezes campeão da Fórmula 1), pediu e experimentou um prato feito pelo buffet de Guimarães. Na ocasião, o comerciante aproveitou para conversar com o piloto e para tirar uma foto com ele. “Tenho parentes que moram na Alemanha e conversamos sobre isso. Já fui visitar o país dele”, lembra.
O prato que o piloto pediu? “Ele comeu feijoada. Disse que gostou bastante”, conta Guimarães. A feijoada, aliás, é a refeição mais elogiada por aqueles que trabalham na Fórmula 1, segundo Guimarães. “São pessoas de diversos países. Elas apreciam o gosto do feijão, principalmente se tiver bacon”, conta Guimarães.
O serviço do buffet começa bem antes do GP. Hoje, Guimarães vai para São Paulo, para começar a organizar tudo. “Um mês antes da prova, já chegam aqueles que vão trabalhar na montagem da estrutura e nos boxes. Por isso, já começamos a servir as refeições nesta época”, conta.
O cardápio é variado. “Eles gostam de comida caseira. Sempre tem arroz e feijão”, fala. A alimentação é balanceada e os alimentos são frescos, comprados todos os dias, garante. “Duas nutricionistas, que são minhas filhas, fazem os cardápios balanceados”, fala.
Todos os pratos são preparados em São Paulo, em um local próximo a Interlagos. “Não dá para preparar a comida em um lugar longe porque temos horário certo para entregar e não podemos atrasar”, explica.
As refeições – almoço e jantar - são entregues às 10h30 e às 21h, respectivamente. Mas o trabalho se inicia bem antes. “O grupo de 12 pessoas que trabalha comigo começa o dia às 5h”, conta.
Nos três dias de prova, são servidos lanches ao invés de refeições. “Fica tão corrido que eles (funcionários do GP) preferem comer um lanche rápido”, diz Guimarães.
Cada kit distribuído contém dois lanches, duas frutas, duas barras de cereal, suco de laranja e água. “O alimento é entregue em embalagens de isopor para conservar a temperatura. Eles são bastantes exigentes quando o assunto é qualidade”, revela.
Nos dias de prova, sempre aparecem pessoas querendo “ajudar” na entrega. “Surgem ‘voluntários’ de todos os cantos para entregar as marmitas. Geralmente, são parentes ou amigos tietes que querem autógrafo e foto com os pilotos”, brinca.
O empresário conseguiu o contrato para fornecer alimentos ao GP do Brasil de uma maneira inesperada, como ele mesmo diz. “Ofereci refeição para oito seguranças de um evento de automóvel, em São Paulo, sem saber que era organizado pela mesma empresa da Fórmula 1. Eles gostaram da comida e pagaram pelo serviço. Dias depois, recebi o convite”, disse. “Por isso, sempre digo que precisamos tratar todos os clientes de maneira igual porque as oportunidades podem surgir até mesmo nos pequenos serviços”, ensina.