A postura firme da funcionária pública municipal que trabalha no Pronto-Socorro da Bela Vista, em não aceitar ser discriminada pelo médico José Roberto de Toledo, mostra uma mudança de atitude na população negra (uso o termo no sentido sociológico), de não aceitar ofensas motivada por racismo, que não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré-concebidas onde a principal função é valorizar as diferenças biológicas entre os seres humanos, em que alguns acreditam ser superiores aos outros de acordo com sua matriz racial. Por ser “branco”, a ação do médico foi um crime racial, para o qual não pode haver atenuantes.
No contexto em que o crime foi praticado, o mesmo incorreu em outros, como por exemplo "assédio moral", pois a agressão se deu no local de trabalho, e, segundo depoimentos de colegas de trabalho, o mesmo tem a prática habitual de agredir verbalmente funcionários, se apoiando na posição hierarquicamente superior à dos demais.
Também os policiais que atenderam a ocorrência, ao efetuar a prisão em flagrante, deram demonstrarão do tipo de atuação policial que faz bem à sociedade, que não executaram com rigor sua função, sem se deixarem influenciar pelo título de “dr.”. O mesmo pode se dizer da autoridade policial que autuou e determinou a prisão.
São mudanças de posturas significativas, resultado de anos de luta de negros e não negros que combatem o racismo e discriminação, apoiados por inúmeros movimentos e organizações da sociedade da sociedade civil.
Em Bauru, a atuação do Conselho da Comunidade Negra tem ajudado e muito neste processo, e reconhecemos também o papel dos mais diversos órgãos de imprensa e de seus profissionais em denunciar fatos com estes.
Pelas atitudes recorrentes do médico José Roberto de Toledo no trato com os funcionários públicos, está comprovado que o mesmo não pode continuar nos quadros da Secretária da Saúde do município, pois tratará e atenderá com desleixo aqueles usuários que não pertencem à sua matriz racial, e que também pagam impostos, de onde provem os recursos para que o poder público pague o seu salário todos os meses. Exoneração, já!
Roque José Ferreira - coordenador nacional do Movimento Negro Socialista