Numa operação de busca e apreensão da Polícia Civil realizada ontem em Bauru, uma família inteira – pai, mãe e os dois filhos – foi detida acusada de tráfico de drogas. Os adolescentes, um de 15 e outro de 17 anos, seriam usados para comercializar o entorpecente. Na casa da família, no Núcleo Fortunato Rocha Lima, policiais da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) apreenderam quase um quilo de maconha.
A prática de tráfico foi descoberta depois de alguns meses de investigação. Às 8h de ontem, munidos de mandado de busca e apreensão, uma equipe da Dise se deslocou até o endereço. Na casa, foram encontrados quase um quilo de maconha, quantidade que renderia cerca de 3 mil cigarros da droga, um celular e R$ 243, 00 em dinheiro. O casal Alberto Izabel Gomes, 39 anos, e Luciana Pereira, 35 anos, foi preso em flagrante por tráfico e associação para o tráfico com o agravante de estarem utilizando menores para a prática.
Já o casal de filhos foi apresentado ao Juizado da Infância e Juventude, que decidirá se serão internados em instituição de reabilitação. Logo ao entrar no imóvel onde a família residia, os policiais avistaram, do corredor de acesso ao quintal, a mãe, Luciana, jogando uma sacola verde pela janela. Dentro havia grande quantidade de maconha.
No quarto do casal, em cima de uma cômoda, foi encontrado mais um saco, desta vez transparente. Em seu interior, havia 13 invólucros da droga já prontos para a venda, cada um com cerca de quatro gramas. Juntando todos os pacotes, a soma atingiu quase um quilo. Além do entorpecente, os policias apreenderam também um celular que provavelmente era usado para o tráfico e os R$ 243,00 em dinheiro (R$ 120,00 com o pai, R$ 63,00 com o filho, R$ 2,00 com a filha e R$ 40,00 debaixo do colchão do quarto).
A maioria das notas era de R$ 2,00 e R$ 1,00, o que pode indicar que os papelotes eram vendidos entre R$ 2,00 e R$ 4,00. A polícia listou indicativos que os adolescentes cumpriam tarefas nessa rede de tráfico de drogas. O primeiro deles é o fato de as drogas estarem localizadas em locais visíveis da casa, à vista dos adolescentes. Outro é o fato dos adolescentes estarem portando notas de valor baixo.
As investigações concluíram que os adolescentes também atuavam como “olheiros” para indicar a presença de polícia nas proximidades. Segundo a delegada titular da Dise, Rejani Borro Tiritan, durante o trabalho diário de investigação, os policiais têm constatado ampla utilização de menores da própria família no tráfico de drogas.
“Essa prática vem crescendo e se tornando cada vez mais comum nos bairros mais afastados”, revela a delegada. Esses pais seriam apenas o elo mais fraco da corrente que forma o cinturão do tráfico de drogas em Bauru. No entanto, a polícia espera que, realizando operações como esta, possa em breve chegar aos grandes distribuidores, responsáveis pelo abastecimento dessas “bocas”.
A reportagem do JC tentou conversar com os pais dos adolescentes, mas eles não quiseram dar depoimento a respeito dos fatos. Alberto foi encaminhado à Cadeia Pública de Avaí enquanto Luciana, para a o Presídio Feminino de Cabrália Paulista.
O adolescente foi recolhido provisoriamente na cela do Núcleo de Atendimento Integrado (NAI) da Fundação Casa (antiga Febem). A garota foi levada para o Presídio Feminino de Cabrália Paulista. Ambos ficam à disposição da Vara da Infância e Juventude, que pode determinar a internação ou liberação dos adolescentes.
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Operação
A apreensão da droga foi realizada durante operação da Polícia Civil de Bauru que, além da Dise, reuniu equipes dos quatro distritos policiais, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), num total de 40 policiais.
Além da família, segundo o delegado Roberval Fabbro, 15 pessoas foram presas – 11 por força de mandado de prisão na esfera cível, como por não pagamento de pensão alimentícia e depositário infiel -, e quatro por crimes como roubo e tentativa de homicidio.