São Paulo - O diretor do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Reinaldo de Almeida Barbosa, afirmou ontem que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) não tem feito inspeções rotineiras nas áreas de manutenção das empresas aéreas. As informações são da Agência Brasil. “Não tem feito rotineiramente. Esporadicamente, quando há grande demanda junto aos departamentos da Anac, insistência do sindicato, comparecem”, disse Barbosa, em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo da Câmara dos Deputados.
Barbosa é mecânico da TAM há oito anos e atualmente trabalha no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Em entrevista após o depoimento, ele reforçou que a agência reguladora “não tem cumprido sua função no que se refere à fiscalização da manutenção de aeronaves. “Na verdade não tem feito o seu dever de casa. O sindicato tem agilizado, tem denunciado, e não tem tido resposta da agência reguladora.”
Também para o relator da CPI, Marco Maia (PT-RS), a Anac não tem cumprido responsabilidades de fiscalizar o setor aéreo. “Isso é uma coisa quase unânime hoje na sociedade brasileira, unânime na CPI e unânime também no governo, que já admite, já falou várias vezes em trocar todos os diretores da Anac. Isso está alicerçado no fato de que a Anac não cumpriu, durante esse último ano, suas responsabilidades.”
No depoimento, Reinaldo Barbosa também apontou problemas, como o número reduzido de mecânicos para atender a demanda e a quantidade de horas extras que os profissionais têm que fazer. “Isso leva a situação estressante para o mecânico.”
De acordo com Barbosa, nos aeroportos com maior movimento, quatro mecânicos chegam a ficar responsáveis por 30 a 35 aviões durante um turno de seis horas. Segundo ele, o ideal é que houvesse pelo menos o dobro de profissionais para cuidar dessas aeronaves. Questionado pelo relator da CPI sobre que nota, de zero a dez, daria à manutenção dos aviões pelas companhias aéreas, ele deu sete. Mas, para a atuação dos próprios mecânicos, deu dez.
Barbosa também disse que o sindicato recebe denúncias sobre falhas em aeronaves, mas ressaltou que não tem condições de afirmar se o número tem aumentado nos últimos meses. Sobre a autorização de vôos de aviões com um dos reversos (equipamento que ajuda a frear o avião) travado - como ocorreu com o Airbus-A320 da TAM que explodiu há cerca de dois meses, após se chocar com um prédio da empresa - o mecânico disse que a prática não é comum. “Mas tenho certeza de que a liberação do reverso pinado (travado) estava de acordo com as normas técnicas do manual (da aeronave)”, disse o diretor do Sindicato dos Aeroviários.
Segundo Marco Maia, esse foi o último depoimento na CPI. Ele confirmou que começará a ler seu relatório na próxima terça-feira. Na quarta-feira, os integrantes da CPI vão se reunir com o especialista que analisou a caixa preta do avião. De acordo com o relator, no dia seguinte, a apresentação do relatório deve ser concluída.