Os vendedores ambulantes do Centro de Bauru estão sentindo no bolso os efeitos da polêmica em torno dos brinquedos que contêm ímãs aparentes. Mesmo sem comercializar produtos com essa característica, os poucos camelôs da cidade que vendem bonecas similares à linha Polly, da Mattel (maior alvo de sanções), estão com o estoque encalhado nas bancas desde a divulgação da necessidade de recall e posterior proibição de importação desses itens que podem causar acidentes durante o manuseio pelas crianças.
As bonecas da linha Polly, importadas da China e “febre” entre as garotas, possuem peças (espécies de roupinhas) que se encaixam no corpo da boneca fixadas por ímãs. Para tentar aproveitar o sucesso do produto, os ambulantes de Bauru comercializam item similar. Além da diferença no preço, o brinquedo trazido do Paraguai não possui ímã. As vestimentas são confeccionadas com silicone e se adaptam aos contornos da boneca.
Mas nem mesmo esses diferenciais fizeram as vendas aumentar. A reportagem do JC visitou oito bancas de brinquedos no Centro. Apenas duas delas possuíam esse tipo de boneca exposta para venda. Segundo as vendedoras consultadas, a procura, que já era baixa, caiu ainda mais depois dos problemas veiculados na mídia. “Antes disso vendia bem, umas três caixas (que contêm diversos itens, inclusive a boneca), em média, por semana. Depois disso, zerou (a venda). Ninguém mais comprou”, afirma uma ambulante que não quis ter o nome divulgado.
Já Geni Virgílio diz que, para ela, a situação não mudou nada após a divulgação das notícias. “Esses modelos parecidos com a Polly não têm saída, é muito difícil vender. Tenho duas caixinhas expostas há mais de um ano e ninguém se interessa”, afirma. “Se já era parado, agora vai ficar ainda pior”, completa a vendedora.
Nas lojas de brinquedos, a retirada dos brinquedos apontados como defeituosos não acarretou perda de faturamento. De acordo com Carlos Eduardo Martha de Oliveira, proprietário de uma loja localizada na zona Sul, apenas oito itens tiveram que ser retirados das prateleiras. “Eles eram de três modelos diferentes, na maioria da linha Polly antiga. O restante dos produtos, mais novos, está liberado para comercialização”, afirma.
Cuidados
Nas redondezas das barracas das camelôs entrevistadas, mães se aglomeravam e questionavam a proibição das vendas desses brinquedos importados, que supostamente trazem problemas à saúde do usuário. Todas elas chegaram ao consenso de que é função dos pais decidir presentear os filhos com esses produtos quando atingem a idade correta e também de ficar atentos durante as brincadeiras, para evitar acidentes.
De acordo com o chefe de divisão técnica do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) em Bauru, Luiz Antonio Brizzi, os pais realmente precisam ficar atentos. “Toda criança deve manusear apenas brinquedos indicados para sua idade e sempre sob supervisão de um adulto”, afirma. “Outra questão que deve ser observada é a não utilização de um brinquedo fora da sua intenção original ou em situações adversas”, completa.
Brizzi destaca outras providências que os pais devem tomar no momento da compra dos brinquedos. “O consumidor deve verificar se o produto possui selo do Inmetro, garantindo a segurança; se todas as informações referentes ao produto estão traduzidas para o português; se existe identificação e telefones de contato do fabricante e do importador; a indicação de idade e, por último, sempre exigir e guardar a nota fiscal para uma futura atribuição de responsabilidade em caso de acidente por defeito do brinquedo”, ensina.