Funcionários e donos de videolocadoras de Bauru foram às ruas ontem protestar contra a pirataria de produtos cinematográficos. Eles alegam que a comercialização de DVDs ilegais tem gerado perdas de até 40% no movimento das lojas especializadas em locação. De acordo com a categoria, a situação já teria ocasionado até mesmo o fechamento de algumas empresas do segmento no município e, conseqüentemente, eliminado vários postos de trabalho.
Os empresários do setor cobram fiscalização mais intensa e eficaz da Prefeitura de Bauru, principalmente entre os ambulantes da região do Calçadão da Batista de Carvalho, onde a venda de DVDs pirateados é mais comum.
Ontem, um grupo de aproximadamente 100 pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar (PM), partiu em passeata da Praça Rui Barbosa, no Centro, até a Câmara Municipal de Bauru, para pedir aos vereadores que cobrem mais rigor na fiscalização. Os manifestantes se vestiram de preto, carregaram faixas pedindo o fim da pirataria e fizeram todo o trajeto sob intenso barulho de apitos. Em frente à Câmara, distribuíram 1.500 fitas de vídeo VHS à população, como forma de pedir apoio ao movimento.
“Queremos um combate eficaz e que perdure. Não adianta fazer uma apreensão aqui e outra ali, e falar que a pirataria foi combatida. A venda desses produtos pirateados cresceu muito”, comentou Avanilton Sebastião, presidente da Associação das Videolocadoras de Bauru.
Na prática, a categoria cobra do poder público e da polícia um combate mais ostensivo às bancas que comercializam esses produtos ilegais. Eles pedem mais ação, principalmente nas apreensões. Para os empresários do setor, a prática está banalizada. “As locadoras já perderam cerca de 40% do movimento. E do jeito que a velocidade da pirataria está, acreditamos que dentro de pouco mais de um ano elas sejam extintas”, ressaltou Avanilton.
A preocupação com a queda do rendimento entre as videolocadoras é geral. O empresário Márcio Aparecido Shibukawa, dono de uma loja especializada , diz que nos últimos 12 meses seu movimento de locação também caiu 40%. Para compensar a perda, ele comentou que a alternativa está sendo ampliar o mix de produtos.
“Muitas locadoras estão tentando agregar outras atividades para diminuir esse impacto. Muita gente passou a vender produtos de conveniência ou tem lanhouse no estabelecimento”, disse Shibukawa.
Segundo a Associação das Videolocadoras de Bauru, atualmente existem na cidade 68 estabelecimentos do ramo que empregam, direta e indiretamente, 1,3 mil pessoas. “A população tem de entender que isso é crime. Se queremos um Brasil melhor, não podemos compactuar nem comprar produtos de origem criminosa”, pontuou Avanilton.
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‘Todo mundo compra’
O consumo de DVDs pirateados atinge todas as classes sociais, segundo relatam alguns vendedores ambulantes da região do Calçadão da Batista de Carvalho. “Ninguém quer alugar um filme por R$ 5,00 sendo que, pelo mesmo preço ou até por menos, pode comprá-lo para assistir no momento em que bem entender”, ressaltou uma vendedora ambulante, que preferiu não revelar o nome.
Ela conta que deixou de comercializar CDs e DVDs piratas há cerca de um mês, por temer prejuízos com a fiscalização. “Não que alguém tenha vindo fiscalizar a minha banca, mas prefiro não correr risco”, completou. “Sei que é errado, mas temos de sobreviver. Claro que se eu tivesse um emprego fixo, não venderia esse tipo de mercadoria. Entendo, também, que as locadoras estão no direito delas de protestar”, ponderou.