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Multado, motorista ‘fecha’ o trânsito com caminhão

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Revolta, ação e reação. Após receber a segunda multa em menos de um mês no Centro de Bauru, exatamente no mesmo local, pelo mesmo motivo e aplicada pelo mesmo agente de trânsito, o motorista de caminhão Válter Manuel Cardoso, que faz fretes, resolveu fazer um protesto, no final da manhã de ontem. Após discutir com o Azulzinho (agente de trânsito) que havia aplicado a multa por estacionamento em desacordo com a sinalização em vaga de carga e descarga, ele fechou um cruzamento com seu caminhão e deitou-se no asfalto como forma de protesto.

Em seguida, subiu no baú do caminhão e discursou criticando a atuação do Azulzinho, funcionário da Empresa de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). A atitude de Cardoso chamou a atenção dos populares que passavam pelo local. Às 11h30 a confusão estava armada: de um lado da calçada da rua Agenor Meira, no cruzamento com a 1.º de Agosto, Cardoso inflamava as cerca de 30 pessoas que pararam para acompanhar o desenrolar dos fatos.

Depois de palavras de insatisfação, populares aplaudiram Cardoso, que exigia o cancelamento da multa. Do outro lado, acuados, funcionários da Emdurb observavam a movimentação incomum no Centro. Na seqüência, Cardoso ameaçou incendiar seu caminhão, que afirmava ser seu ganha-pão, caso a multa não fosse cancelada. Além da multa já aplicada, ele levou outra, por bloquear o trânsito.

A história de indignação do fretista começou no último dia 20 de agosto. Segundo Cardoso, nessa data, como faz diariamente, ele parou o caminhão na vaga de carga e descarga, se dirigiu à loja para a qual realiza fretes, definiu o itinerário para as entregas e retornou para o veículo. Fixada no pára-brisa do veículo, ele encontrou uma multa por estacionamento em desacordo com a lei. “Todo esse processo demora cerca de 30 minutos”, argumenta o fretista.

Ele diz que juntou os documentos necessários e perdeu dois dias de serviço para conseguir dar entrada no recurso da autuação. “Ninguém vai ressarcir o prejuízo que tenho com a paralisação da minha atividade. Por isso, se tiver que fazer todo esse processo e não conseguir reverter a situação, daqui um mês vou queimar meu caminhão aqui, neste lugar. Já que vou perder ele para a financeira porque não vou conseguir pagar a prestação, pelo menos faço um protesto”, disse no calor dos fatos.

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Reincidência

O que motivou o protesto foi a segunda multa que Válter Manuel Cardoso recebeu ontem às 10h22, no mesmo lugar, na mesma situação, pelo mesmo fiscal. “Esse é um local público que pode ser utilizado pelas pessoas que trabalham na área. Quero ter esse meu direito garantido. O que ele (fiscal) está fazendo é falta de respeito com um cidadão, chega a dar impressão de perseguição. Ele abusa da sua autoridade e nem pensa em orientar, conversar e explicar a situação antes de tomar qualquer atitude”, criticou.

O multado confessou que realmente o caminhão ficou trancado enquanto ele estava na loja pegando notas fiscais e o itinerário dos equipamentos para fazer as entregas (o baú do caminhão estava vazio quando a reportagem chegou ao local). “Não posso deixar o carro aberto por causa do risco de assalto, como ocorreu com este colega, há poucos dias, em Marília”, afirma, segurando no braço do rapaz que confirmou a história.

O aposentado Valdemar dos Santos, 66 anos, acompanhou o protesto e deu razão para Cardoso. “Isso é perseguição. Onde já se viu levar duas multas no mesmo lugar, uma atrás da outra? Se continuar desse jeito, todo o dinheiro que ele ganhar no frete vai ser usado para pagar multa. Isso é uma máquina de ganhar dinheiro”, opina.

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