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Unesp leva ginástica artística a crianças carentes do Ferradura

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Popularizada no Brasil pelas atletas Daiane dos Santos e Daniele Hipólito, a ginástica artística não é muito praticada no País em razão da dificuldade em encontrar espaços propícios e, principalmente, pelo custo das aulas. No entanto, em Bauru, cerca de 50 crianças e adolescentes de baixa renda têm a oportunidade de praticar, sem custos, esta modalidade esportiva ainda considerada elitista.

Através do projeto “Ginástica Artística: prática esportiva no Bairro Ferradura Mirim”, desenvolvido por alunos e professores do curso de educação física da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru desde março deste ano, as crianças aprimoram as habilidades no esporte, estimulando a disciplina e os sentidos de coletividade e responsabilidade.

“O objetivo não é formar campeões, mas trabalhar com a formação da criança como um todo, levando em conta os aspectos psicológico, social, motor, afetivo e cognitivo”, explica a professora Cleusa Medina Custódio Alves, do Departamento de Educação Física da Faculdade de Ciências e coordenadora do projeto. As atividades são desenvolvidas com alunos de 6 a 16 anos em uma casa ainda improvisada no Ferradura Mirim, com aulas em dois dias da semana, três horas por dia. “Os equipamentos são precários, mas já dá para desenvolver pelo menos a iniciação nesse esporte”, observa a professora. “E eles estão demonstrando bastante interesse, não faltam nas aulas e são bastante dedicados”, destaca.

Para suprir a falta de infra-estrutura, há muita força de vontade e dedicação dos alunos. Ontem, eles saíram do bairro onde moram e foram até a Unesp para conhecer o projeto “Ginástica Artística: prática de atividades psicomotoras”, que a universidade desenvolve no ginásio do curso de educação física há cinco anos com crianças moradoras dos arredores.

“Neste intercâmbio eles puderam conhecer todos os aparelhos oficiais da modalidade”, explica a coordenadora. No ginásio, além de assistir a apresentação de uma academia de ginástica da cidade, os jovens tiveram a primeira oportunidade de praticar o esporte por algumas horas em traves, argolas, barras e trampolins.

De todos os aparelhos, o aluno Waldir Rodrigues Junior, 17 anos, morador do Ferradura Mirim, ficou encantado com o solo utilizado oficialmente no esporte, uma estrutura sustentada por molas para absorver o impacto dos saltos. Ele conta que, até duas semanas atrás, ficava com as tardes ociosas depois que voltava da escola, no período da manhã. “Meus amigos me contaram sobre as aulas de ginástica e resolvi participar. Gostei muito e não pretendo parar”, revela.

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Programa amplo

As aulas de ginástica artística integram um plano multidisciplinar que a Unesp desenvolve em parceria com a Associação Caná (entidade ligada à “Companhia de Maria”) e a prefeitura de Bauru. A iniciativa pretende capacitar 2.500 moradores do Ferradura Mirim para o mercado de trabalho em 16 projetos de diferentes áreas: cursos de alfabetização, informática básica, palestras para formação de lideranças juvenis, além de aulas de ginástica artística, futebol e xadrez.

Na concepção dos profissionais envolvidos, a superação da miséria não se resume apenas a ensinar um ofício aos moradores, mas também proporcionar a eles momentos lúdicos e de lazer. Foi com base nessa visão que várias atividades de recreação, como a ginástica artística, foram incluídas no projeto.

A Unesp, por meio de sua Pró-Reitoria de Extensão, destinou cerca de R$ 16 mil ao programa. Desse total, R$ 3.200,00 estão voltados ao pagamento de bolsas de R$ 200,00 a cada um dos 15 universitários participantes do projeto.

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