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Operação prende 52 PMs acusados de ligação com o tráfico no Rio

Folhapress
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Rio - Cinqüenta e dois policiais militares, de um mesmo batalhão do Rio, foram presos ontem, acusados de envolvimento com o tráfico de drogas em Duque de Caxias, Baixada Fluminense. Outros sete PMs estão com prisão decretada. Todos são do 15.º Batalhão da PM e representam 9,5% da unidade - nenhum é oficial.

Os PMs são acusados pela Polícia Civil de receber propina para não combater o tráfico nas favelas do Imbariê e Parada Angélica e de avisar os criminosos quando equipes não envolvidas no esquema preparavam operações naqueles locais. Cada equipe - de quatro a seis PMs - recebia entre R$ 2 mil e R$ 3.900,00 por semana, segundo a investigação. O esquema vigoraria há um ano e meio.

A Justiça expediu 66 mandados de prisão para 59 PMs e sete supostos traficantes. Até as 20h, 52 agentes e cinco civis haviam sido presos. Podem ser indiciados sob acusação de formação de quadrilha, associação ao tráfico, corrupção ativa e passiva e concussão (exigência de vantagem indevida por servidor). Cerca de 100 policiais da Corregedoria participaram da operação.

Os PMs foram presos quando chegavam, saíam do trabalho ou em casa (no caso dos que estavam em licença). Seus nomes não foram divulgados pela secretaria, que também não informou se tinham advogados. O processo corre em segredo de Justiça.

As investigações da 59.ª Delegacia de Polícia (Duque de Caxias) começaram em 14 de fevereiro, quando o titular André Luis Drumond passou a monitorar o tráfico nas favelas. “Começamos a identificar a hierarquia do tráfico, as mulas e vapores (pessoas que transportam as drogas) e policiais que participavam do grupo. Para não atacar ou dar cobertura, eles recebiam quantias em dinheiro”, afirmou o delegado. As quantias eram variadas em razão do temor das equipes.

A relação entre os policiais e os traficantes, no entanto, nem sempre era amistosa. PMs envolvidos recorreram a prisões para pressionar os traficantes a aumentar a propina. Segundo o delegado, traficantes foram liberados pelos policiais após o pagamento de R$ 5 mil e R$ 8 mil em ao menos duas ocasiões.

O pagamento era feito por meio de senhas. Comparsas dos traficantes entregavam um papel ao policial com um telefone. O agente ligava e dava uma senha - geralmente seu apelido - para agendar o pagamento. O policial de maior patente preso é um primeiro sargento, informou a Polícia Civil.

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