Creio que aqueles comerciários que gozaram o feriado do dia 7 tiveram um memorável dia de descanso, lazer e a oportunidade de convivência com os seus, porque “permitiram” que eles não trabalhassem nessa data. Creio que a maioria dos leitores entendeu a contribuição publicada nesta Tribuna (10/9), sobre o funcionamento do comércio em datas especiais. Não estava limitada especificamente ao Dia da Independência, como quis fazer entender o representante sindical no seu texto em defesa da sua “longa e conhecida luta”.
Estou entre aqueles brasileiros que, além da crença em Deus, depositam na real organização dos trabalhadores a arma para combater e coibir abusos ou quaisquer tentativas de burlar os direitos coletivos. Não entrego unicamente a Ele essa tarefa, confio na Sua onipresença, mas, em matéria de relações capitalistas, Ele tem muitos e maiores afazeres do que abençoar ou fiscalizar acordos de funcionamento de lojas em diversas sextas até 22h, em domingos especiais e na realização de horas extras em troca de contrapartidas invariavelmente desrespeitadas ou gozadas na ficção de papéis.
Afora que o presidente do Sindicato dos Comerciários destaque sua árdua luta, sugiro que deixe de recorrer ao divino e volte a ser sujeito ativo da história cotidiana dos seus representados, com uma atuação efetiva para verificar, denunciar e coibir as inúmeras e criativas maneiras aplicadas para tolher as garantias dos trabalhadores do comércio, porque, sim, é possível coibir abusos!
André Luiz Pereira de Oliveira Pinto - licenciado em história