Tirar o nome dos serviços de proteção ao crédito (SPC) é quase sempre uma tarefa desgastante. Levantar o dinheiro necessário para regularizar a pendência que ocasionou a perda do direito de compra é ainda mais complicado.
Para uma grande maioria, os empréstimos bancários são a única solução. E opções e ofertas não faltam. Cabe ao devedor analisar o melhor plano, levando em consideração, sobretudo, a taxa de juros, para não assumir uma dívida ainda maior.
A Caixa Econômica Federal (CEF), por exemplo, possui uma linha de financiamento específica para devedores do comércio de Bauru. O inadimplente pode usar o empréstimo para saldar os débitos, fazendo o procedimento diretamente na sede da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) ou em qualquer agência da CEF. Se o contrato for aprovado, a regularização é automática e o tomador do crédito não precisa nem pegar o dinheiro na mão.
“Essa parceria nossa com a Caixa tem o objetivo de recuperar o crédito do credor e, conseqüentemente, o consumidor. Pagando a conta, voltará a comprar e será mais um cliente potencial”, pontua Édio Cássio Ramos, gerente de cobrança da CDL.
Mas não é qualquer consumidor que pode aderir à linha de financiamento. Conforme Nelson Antonio Calsavara, gerente-geral da Agência da CEF em Bauru, o crédito é destinado a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a trabalhadores empregados em empresas conveniadas à CEF. Ele explica que o financiamento é consignado em folha de pagamento e, em média, leva até três dias para aprovação.
“Acredito que seja uma facilidade e uma alternativa a mais para quem precisa regularizar pendências financeiras, podendo parcelar o empréstimo”, comenta Calsavara.
Em janeiro deste ano, o SPC de Bauru contabilizava 196 mil nomes na lista de inadimplentes. Mas como cada consumidor pode ser incluído mais de uma vez no sistema, o presidente da CDL, Sérgio Evandro do Amaral Motta, estimou, na época, que o índice real de consumidores com crédito negativo era de 100 mil.
Ramos acredita que o número de inadimplentes deve recuar em até 30% com a linha de financiamento da CEF. Queda, que na opinião dele, ocorrerá a médio prazo. “Posso dizer que a procura está grande, mas muitas pessoas que têm interesse no financiamento ainda não podem aderir porque já estão com a renda comprometida com outros empréstimos”, ressalta o gerente da CDL.
A linha de financiamento não é exclusiva para inadimplentes, porém, segundo Ramos, 90% dos interessados afirmam que pretendem usar o empréstimo na liqüidação de dívidas em atraso. A parceria entre CEF e CDL começou há cerca de um mês e, até ontem, 12 contratos haviam sido aprovados.
Taxas
De acordo com Calsavara, a taxa de juros do financiamento varia entre 1,5% e 2,5% ao mês. O prazo de pagamento e o tipo de convênio que a empresa onde o tomador do empréstimo trabalha, definem a taxa de cada contrato, segundo o gerente.
Para o economista Fernando Pinho, a taxa de juros é favorável, principalmente se o dinheiro for, de fato, utilizado para regularizar dívidas e o tomador do empréstimo tiver condições de assumir o compromisso.
“Quem tiver capacidade de montar uma engenharia financeira para trocar uma dívida cara por uma mais barata, é bastante satisfatório. Estamos numa fase do ano em que as pessoas estão tentando colocar suas vidas financeiras em dia, principalmente porque o Natal já está por aí”, acrescenta.
Em geral, conforme o economista, a taxa de juros cobrada pelos bancos sobre os financiamentos pode chegar a 12% ao mês, que é o caso, por exemplo, do cartão de crédito e do cheque especial. Pinho lembra que as pessoas com histórico de crédito positivo conseguem negociar taxas melhores com as instituições bancárias.
A linha oferecida pela CEF estipula prazos de pagamento que variam em até quatro anos. Calsavara explica que aposentados e pensionistas do INSS, e clientes empregados em empresas conveniadas à CEF, podem dividir o empréstimo em até 36 meses. Já os funcionários públicos da Prefeitura e Câmara Municipal têm a opção de liqüidar o débito em até 48 meses.
Na opinião do gerente, a adesão deve ser grande, já que das 450 empresas associadas à CDL em Bauru, cerca de 300 têm convênio com a CEF.