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Avó pode ser a primeira barriga de aluguel do mundo a dar à luz gêmeos

Folhapress
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Recife - A agente de saúde Rozinete Palmeira Serrão, 51 anos, está grávida de dois meninos que são, na verdade, seus netos. No início do ano, ela implantou em seu útero embriões da filha, Cláudia Michelle, 27 anos, fertilizados “in vitro” em uma clínica particular de Recife.

O nascimento dos bebês está previsto para 12 de outubro. Segundo o médico responsável pela fertilização, Cláudio Ribeiro, o caso é inédito no mundo. Não há registro de gêmeos gerados pela mãe da doadora dos óvulos, disse ele. Casada há 31 anos com o encarregado de produção José Maria de Souza Serrão, 55 anos, Rozinete é mãe de três filhos - dois homens e uma mulher. O casal tem ainda um neto de 3 anos.

A filha e o genro são comerciantes de classe média. Há cerca de um ano, Cláudia descobriu que, apesar de ovular, não poderia ter filhos. “A ‘barriga de aluguel’ era sua única opção”, contou o médico.

A mãe aceitou “emprestar” o útero à filha porque o Conselho Federal de Medicina só admite procedimentos desse tipo envolvendo parentes diretos da doadora dos óvulos. Cláudia não tem irmãs nem primas. “Não tive dúvida nenhuma em ajudar minha filha”, disse.

Segundo o médico, a agente de saúde passou por uma bateria de exames e teve seu ciclo hormonal sincronizado com o da filha para que o período fértil das duas coincidisse. No terceiro dia após a fertilização “in vitro”, três dos quatro embriões produzidos em laboratório foram implantados em Rozinete. Um deles não se fixou ao útero. Os outros dois se desenvolveram normalmente.

Os gêmeos, que se chamarão Antonio Bento e Vitor Gabriel, serão amamentados simultaneamente pela avó e pela mãe. Cláudia passa por um tratamento hormonal para produzir leite e, assim que puder, assumirá sozinha a tarefa.

Confusão de papéis

Rozinete diz que não tem dúvidas sobre seu papel na gestação. “Na minha cabeça, não estou gerando filhos, estou gerando netos”, afirma. “Trabalhei muito com o psicológico para não confundir as coisas.” Mesmo assim, ela será assistida por um psicólogo após o parto. “É só precaução, porque eu já tive três filhos, tenho um neto, e meu marido está numa boa”, disse. “Vou curtir muito os dois meninos, mas como netos. Como filhos, nunca.”

Para Cláudia, que acompanha a mãe em todos os exames, “não tem como explicar a sensação”. “Às vezes, acho que vou ficar doida, de tanta coisa que está acontecendo”, afirmou. “Passamos por muita tristeza, e agora temos certeza de que as pessoas não devem desistir nunca do que desejam.”

Prevendo eventual impasse burocrático no registro das crianças em cartório, todos os envolvidos deverão se submeter a testes de DNA para a confirmação da paternidade.

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