Avaré - A polícia libertou, na madrugada de ontem, o filho de um diretor do Bradesco que havia sido seqüestrado na manhã do último dia 9 em Osasco e passado parte do tempo de cativeiro preso dentro do porta-malas de um Honda Civic. O rapaz foi libertado do cativeiro em uma Pousada de Avaré (120 quilômetros de Bauru).
Segundo a polícia, o mentor do crime foi um pedreiro que havia trabalhado na casa da vítima há um ano e, depois disso, passou a freqüentar a mesma igreja evangélica que a família. O estudante universitário, de 18 anos, foi abordado pelos seqüestrados por volta das 8h quando dirigia até a igreja evangélica, em Osasco. Seu pai, diretor do banco, também é pastor da igreja.
Ao ser libertado, ele estava debilitado por ter viajado pelo menos 300 km no porta-malas e em razão de agressões, mas não ficou com seqüelas físicas. Nos hotéis, era obrigado a dormir embaixo da cama. A pedido do Bradesco e por questão de segurança, a a reportagem não divulgará o nome da vítima e de seus familiares.
O universitário foi colocado no porta-malas pelos criminosos, que, sem local para o cativeiro, decidiram se hospedar em pelo menos oito hotéis e motéis ao longo da rodovia Castelo Branco (SP-280).
O primeiro acusado a ser preso, anteontem à noite, foi Fernando Antônio Guidotti, 32 anos, que estava sendo monitorado pela polícia durante as negociações sobre o resgate. Ele havia pedido R$ 120 mil, mas o pai, orientado pela polícia, o convenceu a aceitar R$ 80 mil.
Segundo o delegado, ele apontou o local do último cativeiro, uma pousada em Avaré, onde o estudante era mantido por outra presa, Kelly Gislaine Ferreira da Silva Hungria, 28 anos, que é namorada de Davi. Quase no mesmo momento, o pai do estudante, que negociava com Guidotti, deixou os R$ 80 mil de resgate em um ponto da Grande São Paulo, não revelado pela polícia.
Davi pegou o dinheiro, entrou em contato com a namorada, sem saber que ela já estava presa, e se dirigia ao Interior do Estado quando foi detido. Todo dinheiro foi recuperado. A reportagem tentou falar com os acusados quando eram transferidos ontem à tarde, mas eles ficaram em silêncio.
No primeiro semestre do ano, segundo a Secretaria da Segurança Pública, houve 55 seqüestros no Estado, número inferior aos 66 do mesmo período do ano passado. Durante todo ano de 2006, o número de casos no Estado chegou a 132.