Após pesquisar sobre as condições de vida e de trabalho da mão-de-obra utilizada na produção de cana-de-açúcar, no século XVI e no XXI, tem-se a sensação que o tempo parou. Na sua fase mercantilista, governantes, latifundiários e a Igreja Católica apoiaram a escravidão dos negros, e agora, em sua fase globalizada, os liberais exploram os chamados “bóias-frias”.
O passado de escravidão, registrado e sempre lembrado, conhecemos bem. Racismo, castigos, torturas físicas e psicológicas, resistência. É oportuno, nesse momento de incentivo à produção canavieira, de álcool e de etanol, que sejam conhecidos os trabalhadores volantes, de várias etnias, migrantes que se acabam no processo produtivo.
Hoje, as condições de vida e de trabalho podem parecer diferentes, mas não são melhores que as do passado escravista. O dia começa por volta das 4 horas da madrugada. O transporte é precário e, muitas vezes, inseguro. Não são utilizados equipamentos de segurança no trabalho, os alojamentos são insalubres e a água consumida não é potável. Muitos contratos são enganosos e a remuneração é muito baixa, muito distante do que a legislação prevê. Sofrimento, riscos, preconceito e exploração fazem parte do cotidiano desses trabalhadores “livres”.
Para finalizar esse breve relato, algo ainda mais assustador! Hoje, a expectativa de vida de um trabalhador no cultivo de cana-de-açúcar é 12 anos inferior à do negro escravizado nos séculos passados.
Bruna Anzolin Barreiros