Donos de casas de jogos de loteria estão descontentes com a atual sistemática das apostas e o valor recebido pelos serviços bancários que estão realizando. Por conta disso, o Sindicato dos Lotéricos de São Paulo (Sincoesp) realiza neste domingo, na Capital, o 4.º Mega Encontro, evento que tem o objetivo de reivindicar melhorias para o setor, chamando a atenção da Caixa Econômica Federal (CEF), que administra o sistema de loterias no País.
“Será um ato sem nenhum objetivo de ação extremada. O que queremos é chamar a atenção para um diálogo com a Caixa”, destaca Sueli Falcão, presidente do Conselho de Representantes de Lotéricos do Estado de São Paulo.
Conforme ela, a categoria quer uma reformulação na operacionalização das loterias no sentido de pulverizar mais as premiações. Além disso, pede um realinhamento de preços já que, segundo ela, algumas apostas estão há mais de 11 anos sem sofrer reajuste. “Tudo isso tem influenciado o faturamento das lotéricas. As perdas têm sido significativas, porque o aluguel tem subido, os custos dos funcionários e as despesas com água e luz também”, aponta.
Falcão ressalta ainda que é senso comum entre os empresários do setor o pedido de extinção da Loto Gol, uma modalidade de jogo que, segundo eles, não tem emplacado entre os apostadores.
Uma das principais reivindicações dos lotéricos é a retomada de preço dos serviços bancários que prestam. Conforme Falcão, as casas de loteria recebiam R$ 0,38 pelo recebimento de boletos, independentemente do valor do documento. Mas esse valor caiu para R$ 0,35 nos últimos anos. “Estudo de especialistas em economia aponta que o pagamento deveria ser de R$ 0,62 por operação. Isso revela que o valor ainda está muito abaixo do ideal”, comenta.
Conforme a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as casas lotéricas e outros correspondentes estão sendo cada vez mais procurados para a prestação de serviços bancários. De acordo com a instituição, o número de transações realizadas em correspondentes bancários de todo o País registrou crescimento de 383% entre 2003 e 2006. O volume saltou de 125 milhões de procedimentos para 1,4 bilhão no ano passado.
Outra insatisfação da categoria é com a divulgação dos jogos. Os empresários do ramo reclamam que têm perdido espaço para outras operadoras de apostas, exclusivamente pela falta de marketing. “Isso faz uma diferença muito grande para nós. Se a Caixa não faz essa divulgação, ficamos a mercê da mídia espontânea. Mas não dá para depender única e exclusivamente dessa alternativa, que só aparece quando a Mega-Sena acumula. Não vivemos só de Mega-Sena”, reclama Falcão.
A segurança é outro aspecto polêmico entre os lotéricos. A presidente do conselho explica que, na região, apenas Bauru e Marília têm à disposição o serviço de carro forte para o transporte de valores. “Cidades pequenas também necessitam desse aparato. Bandido não tem só em cidade grande. Nos pequenos municípios eles também estão presentes”, pontua.
Essas e outras reivindicações serão destacadas neste domingo, em São Paulo, durante ato público dos lotéricos. De Bauru, 13 empresários do ramo confirmaram presença no evento. Conforme Falcão, o município possui 23 casas de loteria, as quais empregam média de cinco pessoas por estabelecimento.