O iPhone, o mais moderno e desejado telefone celular do mundo, já pode ser usado em Bauru, habilitado como se fosse um aparelho qualquer. Criado pela Apple, o iPhone é uma pequena jóia da tecnologia, reunindo celular, iPod (MP3), câmera digital e Internet, além de uma série de pequenos recursos que encantam, como a capacidade de mudança do posicionamento da tela com um simples movimento de mão.
Tantos recursos transformaram o iPhone em objeto de desejo dos aficionados por tecnologia no mundo todo. O seu lançamento, em junho, causou tumultos em Nova York, onde milhares de pessoas fizeram fila em frente à loja da Apple. Por ter sido concebido para funcionar apenas pela rede de telefonia celular da americana AT&T, a habilitação do iPhone para o uso através de outra operadora se tornou um desafio para os hackers. O estudante americano George Holtz foi o primeiro a conseguir.
Há poucos dias, um bauruense de 27 anos também realizou a proeza e até personalizou seu iPhone. Pip, como ele prefere ser chamado para ter sua identidade preservada, estava ansioso para comprar o iPhone desde que soube do seu lançamento. “Consegui que uma amiga trouxesse para mim”, conta. Pagou US$ 541 pelo aparelho e mais R$ 127 de taxa de importação, cerca de R$ 1.130,00 no total. “Ele entrou legalmente no País”, frisa. Na Internet, o aparelho é oferecido por um preço mais salgado, em torno de R$ 2,5 mil.
No último dia 20, ele pôs a mão no iPhone pela primeira vez, já pensando em como habilitá-lo. Menos de uma semana depois, seu aparelho já parecia ter sido feito para operar no Brasil.
Pip conta que o seu método de desbloqueio, realizado em parceria com um amigo, envolve apenas software, ou seja, o uso de programas, e não requer a manipulação de peças do aparelho com exceção do chip, obviamente, que pode ser trocado pelo de qualquer outro celular GSM, seja TIM, Claro ou Vivo.
“Não é difícil, tenho feito desbloqueios remotos, ensinando pela Internet”, diz. O fato da manobra poder ser considerada fácil não quer dizer que não seja arriscada. “Se não for feito corretamente, o desbloqueio pode travar o celular e aí não tem jeito. Não recomendo que uma pessoa que não saiba bem o que está fazendo tente”, afirma,
No caso de Pip, não havia margem para erro. “Não podia arriscar estragar o aparelho, não vou ficar jogando dinheiro fora”, comenta. Junto com o amigo e uma rede de contatos na Internet, ele conseguiu. “A gente não faz nada sozinho, um ajuda o outro e tem que ser assim, não adianta acreditar só nos fóruns porque cada caso é um caso”, ensina.
Manutenção
Desde que desbloqueou seu iPhone, Pip já fez o mesmo serviço em três aparelhos de Bauru, cobrando R$ 300,00 por cada trabalho. Ele sabe que o número de clientes deve aumentar em breve, mas não sonha em fazer fortuna às custas do desbloqueio como aconteceu com os estudantes paulistanos Breno MacMasi e Paulo Stool, que em duas semanas mudaram suas vidas graças à capacidade de colocar o iPhone em uso no Brasil.
“Tenho um bom emprego e não preciso me matar para isso. Cobro porque não posso passar tudo o que aprendi de graça”, explica. Apesar disso, as chances de Pip engordar a conta bancária desbloqueando o iPhone não são pequenas, já que em todo País poucas pessoas fazem o serviço. De acordo com Pip, além dos estudantes paulistanos, apenas em Curitiba o desbloqueio também é feito. “Em Bauru não conheço mais ninguém além de mim e do meu amigo”, diz.
A diferença no trabalho de Pip, ele afirma ser a manutenção do aparelho após o desbloqueio. Com isso ele quer dizer a transformação do iPhone em um instrumento totalmente funcional para quem mora fora dos Estados Unidos, explorando todo potencial tecnológico do aparelho.
“O desbloqueio simples permite o uso do celular e do iPod, mas tem muito mais”, afirma. O iPhone de Pip, por exemplo, tem uma tela que traz a temperatura de Bauru no momento e também um GPS que detalha as ruas da cidade como nenhum outro.
Para Pip, a Apple errou ao tentar segurar o iPhone vinculando-o apenas à operação da AT&T. “Quanto mais eles tentarem segurar, mais vão conseguir desbloquear”, avalia. Pip não teme qualquer medida legal da empresa americana, apesar da Lei 9.609, de 1998, afirmar que a cobrança pela alteração de um software é crime. “Isso está acontecendo no mundo todo, eles teriam de encontrar cada uma das pessoas que têm o celular para processar...”, afirma.
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‘Não trabalho com computador’
Ao contrário do que se pode imaginar, Pip não é um hacker e muito menos um nerd que passa o dia todo na frente do computador, ele nem trabalha com informática. “Há cerca de quatro anos não mexo com computadores”, conta o jovem, que não se considera um fanático. “Gosto de tecnologia”, completa.
Os computadores representavam o que havia de mais desafiador quando ele começou a se aventurar na área da tecnologia. “Tive meu primeiro computador com 9 anos, um CP 500 que troquei por um Super Nintendo na Feira do Rolo. Era um lixo, mas comecei a mexer nele e fui melhorando”, lembra. Pip chegou a fazer 32 cursos na área da computação.
Atualmente, atuando em outro ramo, Pip não perdeu o gosto pela tecnologia e mantém em sua residência aparelhos eletrônicos modernos. Todos, porém, não fazem frente à sua última aquisição. “Isso aqui é incrível”, diz sobre iPhone.