Economia & Negócios

Bancários fazem paralisação de 24h

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Bancários de instituições públicas e privadas da cidade dão demonstração de que estão unidos na busca por melhorias nos salários e também nas condições de trabalho. Na manhã de ontem, funcionários de 15 dos 47 bancos de Bauru cruzaram os braços durante uma hora e meia, de acordo com estimativa do sindicato da categoria. O expediente, que diariamente começa às 10h30, ontem teve início somente ao meio-dia. Hoje, o movimento deve abranger mais unidades e paralisar as atividades durante todo o dia.

O motivo para a movimentação dos bancários se baseia principalmente na questão salarial. A estimativa da categoria é que os vencimentos estejam com defasagem de 29,8%, contados desde o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Além disso, eles também exigem melhorias no trato por parte da direção das instituições durante o momento de trabalho e contratação de mais funcionários, já que o déficit de mão-de-obra é apontado pelo sindicato como o maior causador de filas nas agências.

No início da semana, a categoria recebeu proposta de reajuste salarial divulgada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Os termos oferecem: reposição de 4,82% nos vencimentos (valor referente à inflação registrada no período de setembro de 2006 a agosto de 2007), participação nos lucros equivalente a 80% do salário do funcionário mais R$ 867,00 (mesmo molde do ano passado), 13.ª cesta alimentação ao final do ano (valor aproximado de R$ 242,00) e participação adicional nos lucros apenas para trabalhadores de bancos que conseguem atingir 15% a mais de lucro em relação aos índices do ano anterior.

“Durante anos os bancários vêm acumulando perdas, enquanto do outro lado os banqueiros acumulam lucros inimagináveis, fruto da política econômica do governo Lula que privilegia a classe”, afirma o diretor do sindicato da categoria Marcos Lenharo. “Os valores e propostas apresentados são uma verdadeira falta de respeito para com o trabalhador”, completa.

Rejeição

De acordo com Lenharo, a proposta da Febraban foi rejeitada em âmbito nacional pelos bancários. Para tomar a decisão de que passo seguiriam a partir dessa sinalização, o sindicato realizou assembléia anteontem e nela ficaram decididas as paralisações de ontem e de hoje.

O único banco onde nenhum funcionário aderiu ao movimento ontem foi o Bradesco, segundo o sindicato. O principal motivo seria a política interna da empresa, que supostamente reprime aqueles que participam de movimentos.

“A política de recursos humanos do Bradesco é a mais agressiva de todas. Não tem precedentes na história. Quem adere é passível de demissão”, afirma o diretor do sindicato. “É um exemplo do assédio moral que sofre a categoria diariamente”, completa.

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Mais adeptos

A expectativa do Sindicato dos Bancários é de que hoje seja ampliado o número de agências com expediente suspenso. Segundo o diretor da entidade Marcos Lenharo, a adesão de ontem chegou a surpreender, haja vista a insegurança principalmente por parte dos trabalhadores do setor privado em se envolver com movimentos de reivindicação.

A maioria das agências fechadas ontem ficava no Centro e também na zona sul. Unidades dos bancos ABN, Santander, HSBC, Safra, Itaú, Caixa Econômica Federal e Nossa Caixa aderiram à movimentação.

“O ato de hoje (ontem) foi o termômetro do que está por vir amanhã (hoje). Ele nos deu a imagem de que, se esse engajamento persistir, vamos ter a adesão de mais pessoas e muito mais agências fechadas”, acredita Lenharo. “Nós, como trabalhadores, temos apenas nosso poder de mão-de-obra como barganha, e paralisar é a única maneira que temos para chamar a atenção e tentar resolver o problema”, explica.

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