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Samu muda para a Edmundo Coube

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de ser alvo de polêmica em virtude de erros durante sua construção, a sede do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) foi inaugurada. A solenidade ocorreu na manhã de ontem e marcou simbolicamente o início das atividades no prédio, que já estava funcionando há pelo menos dez dias. A base passa a funcionar em prédio próprio, longe do Pronto-Socorro Central (PSC), na região próxima à Universidade Estadual Paulista (Unesp) e ao Hospital Estadual (HE), na avenida Edmundo Carrijo Coube.

Para a direção da Secretaria Municipal de Saúde, a distância da base do centro da cidade não implicará demora no atendimento aos pacientes. Pelo contrário, a expectativa é que ele seja mais ágil. A concepção é que a base funcione como um quartel general, recebendo todas as chamadas, que são analisadas por médicos 24 horas por dia, e repassando-as para viaturas espalhadas pela cidade, para que a mais próxima da ocorrência faça o atendimento.

Até então, a base do Samu funcionava no PSC. A intenção é desenvolver uma espécie de malha para a cobertura mais rápida da cidade. Segundo o secretário de Saúde, Mário Ramos, as oito viaturas do Samu não ficarão estacionadas na base à espera de ocorrências. “Elas estarão distribuídas em pontos estratégicos da cidade, como nos postos dos bombeiros, no PS Bela Vista e também no PSC”, explica o secretário. “Com isso, os atendimentos acabam sendo mais ágeis, o que diminui as chances de ocorrerem mortes”, completa.

Com a transferência da sede do Samu para prédio próprio, abrirá espaço no PSC. “Tudo será adaptado, reincorporado e utilizado pelo PSC”, afirma José Roberto Berber, diretor do Departamento de Urgência e Emergência. “Estamos estudando a possibilidade de fazer uma sala multiprofissional, onde os servidores poderão tomar água e café, sentar num sofá durante cinco minutos, relaxar e recarregar as baterias para voltar com força total ao trabalho”, adianta.

Atualmente, o Samu conta com oito viaturas. Dessas, duas ficam na reserva e seis em operação. Um dos carros é equipado com unidade de terapia intensiva móvel completa para atendimentos de alta complexidade. Em média, cada automóvel roda cerca de 10 mil quilômetros mensalmente atendendo ocorrências de urgência e emergência no município.

O quadro de funcionários do Samu é formado por 28 médicos, 12 enfermeiros, 30 auxiliares, 10 telefonistas e 20 motoristas. A estruturação do Samu, bem como a escolha de local para construção da sede própria, foram uma luta da equipe de Aigiro Kamada, que no início da gestão Tuga Angerami foi diretor de Urgência e Emergência.

Trotes

O Samu recebe, em média, 117 mil chamadas por ano. Desse total, quase 44 mil são trotes. Os profissionais da saúde avaliam o índice como extremamente ruim para a população. ”Essas falsas chamadas tomam tempo dos funcionários, o que pode causar atrasos nos atendimentos reais, elevando, como conseqüência, a possibilidade de ocorrerem mortes”, afirmou o prefeito Tuga Angerami, que participou da inauguração.

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Desabafo

O tom dos discursos do secretário da Saúde, Mário Ramos, e do prefeito Tuga Angerami na inauguração da sede do Samu foi de desabafo. Eles não esconderam que o sistema público de saúde municipal possui problemas e criticaram veementemente a generalização das críticas feitas no decorrer desta semana por vereadores e também pela imprensa.

Tanto Tuga quanto Ramos destacaram que não existe caos na rede pública, mas sim pontos falhos em situações isoladas. Eles apontaram a escassez de verbas, funcionários e a falta de apoio do Estado e da União na implementação de melhorias da rede. Mário Ramos criticou o aumento gradativo da participação da prefeitura no total da verba para gerir a saúde pública da cidade. “O município hoje é encarregado de 22% dos financiamentos, enquanto o índice deveria ser de 15%”, disse em discurso.

Já Tuga Angerami ressaltou que a administração faz hoje trabalho de base que pretende reduzir o atendimento de urgência. “Apesar das dificuldades, é preciso reconhecer os avanços que foram feitos, como no caso da ampliação do Programa Saúde da Família (PSF), que passou de uma para sete equipes e deve ganhar outras três até o próximo ano, totalizando 40 mil pessoas beneficiadas”, disse em discurso.

Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, foram investidos cerca de R$ 2 milhões na reforma e ampliação de cinco unidades de saúde e outros R$ 700 mil estão sendo gastos na reforma das unidades Mary Dota e Ipiranga. Em 2006, a Secretaria Municipal de Saúde contabilizou 624 mil consultas e 1,4 milhão de atendimentos de enfermagem na rede municipal.

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