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Brasil é nono em analfabetismo da AL

Por Clarice Spitz | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - O Brasil ocupa a nona posição no ranking de países com maior taxa de analfabetismo da América Latina e do Caribe. A pesquisa mostra que a taxa de analfabetismo brasileiro (11,1%) é superior à média dos países da região (9,5%). Na prática o Brasil só perde para República Dominicana, El Salvador, Honduras, Guatemala, Nicarágua e Haiti em número de pessoas que não sabem ler nem escrever.

O levantamento elaborado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) toma como base em estimativas da população de 15 anos ou mais em áreas urbanas da América Latina e do Caribe. A comparação mostra que o Brasil conseguiu reduzir sua população analfabeta que representava, em 1995, 15,3% da população urbana. Com isso avançou uma posição na lista dos países da região. O Haiti manteve a liderança no ranking com 45,2% da população urbana analfabeta.

Dez anos antes a taxa era ainda maior: 55,3%. Por outro lado, países como Barbados, Chile, Argentina, Costa Rica, Guiana, Uruguai, Trinidad e Tobago, Cuba, Antilhas Holandesas e Bahamas mantêm as menores taxas da região, com até 5,0% da população urbana analfabeta. “No nosso continente o desafio de erradicar o analfabetismo já foi encarado há muitos anos por outros países”, diz a pesquisadora Ana Lucia Sabóia, citando os índices do Chile, Argentina e Costa Rica, que desde 1995, já apresentavam taxas em torno de 4% e 5%.

Segundo balanço da Unesco, o Brasil está ao lado de países como Egito, Marrocos, China, Indonésia, Bangladesh, Índia, Irã, Paquistão, Etiópia e Nigéria como país com mais de 10 milhões de analfabetos.

A Pnad aponta que em 2006 o Brasil tinha 14,9 milhões de pessoas não sabiam ler e escrever. No Brasil o analfabetismo está concentrado entre os mais pobres, mais idosos, negros ou pardos e em áreas mais pobres. A Pnad mostra que dos analfabetos, 67,4% eram negros ou pardos, enquanto 32% eram brancos. A faixa etária mais analfabeta era de 40 a 59 anos.

Os cursos de alfabetização e de educação de jovens e adultos alcançavam em 2006 2,5 milhões de pessoas com idade superior a 15 anos. Entre as regiões, a maior taxa de defasagem escolar no ensino fundamental foi encontrada na região Nordeste (37,9%). Já a menor foi verificada na região Sul (15,5%). A média de anos de estudo no Brasil subiu de 5,7 anos, em 1996, para 7,2 anos, em 2006. Em uma análise entre rendimentos e escolaridade, a pesquisa aponta que entre os 20% mais pobres no Brasil era de 3,9 anos. Já entre os 20% com maior renda a média era de 10,2 anos.

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