São Paulo - Um carroceiro manteve a própria família refém por cerca de 11 horas em um cortiço na Vila Guilherme (zona norte de São Paulo). A agonia de sua mulher e de seus filhos, que começou por volta da 7h de ontem, só terminou às 18h. Ele cedeu à pressão e acabou abrindo a porta da casa para o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), que liberou os reféns.
Nelson da Silva, 50 anos, utilizou dois facões para render a mulher, de 27 anos, três filhos e dois enteados. Eram três meninos e duas meninas, com idades entre 2 e 14 anos. Um outro filho do casal escapou por não estar em casa. Todos passam bem. “Ele não fez nenhuma exigência, apenas trancou todo mundo e não queria que ninguém saísse”, conta o tenente-coronel Flávio Jori Depieri, comandante do 3.º Batalhão do Choque, da PM. A polícia chegou à rua Henrique Felipe da Costa por volta das 14h, após denúncia de vizinhos.
Segundo o capitão Adriano Giovaninni, que comandou a operação pelo Gate, o carroceiro ignorava os contatos do negociador e, às vezes, nem chegava a responder. Moradores contam que Silva tomava remédios controlados e “bebia muito”.
Para a comunidade local, o vizinho teve um surto psicótico. “Ele achava que toda a favela o estava perseguindo”, conta uma moradora que pediu para não ser identificada. Durante a negociação, Silva chegou a falar sobre monstros com os policiais, além de pronunciar frases desconexas. Ainda de acordo com moradores, o carroceiro já ficou nove dias internado em uma clínica psiquiátrica. Após se entregar, Silva foi levado a um hospital e, em seguida, iria prestar esclarecimentos na delegacia.