Caracas - Depois de mais uma controvertida participação na Assembléia Geral da ONU, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, visitou ontem a Bolívia e a Venezuela, onde reforçou a aliança anti-EUA com os colegas Evo Morales e Hugo Chávez e obteve respaldo boliviano ao seu programa nuclear.
O líder iraniano permaneceu cerca de três horas em La Paz, onde assinou acordos de cooperação na áreas energética, comercial e agrícola.
Na declaração conjunta, ele e Morales se disseram a favor do “desenvolvimento de energia nuclear para fins pacíficos no marco do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, como meio que pode contribuir significativamente ao desenvolvimento econômico e tecnológico de seus povos”. Sem citar os Estados Unidos, a declaração binacional fala ainda em promover “a construção de um mundo multipolar para assegurar um maior equilíbrio e democratização das relações internacionais”.
Dos quatro acordos assinados, o mais importante é a criação de um fundo de US$ 1 bilhão para, ao longo dos próximos cinco anos, desenvolver um plano de “cooperação industrial”. O comunicado não especifica de onde sairá o dinheiro para os projetos.
O Irã também anunciou uma linha de financiamento de US$ 100 milhões para ajudar a Bolívia nas áreas de transferência de tecnologia, indústria, comércio e gestão empresarial. “Esta visita é o início de relações amplas entre ambos os governos e ambos os povos irmãos”, disse Ahmadinejad.
À noite, ele rumou para Caracas, onde se encontrou com Hugo Chávez, seu principal aliado na região. Juntos, os dois desafiaram o “imperialismo” dos EUA. “Resistiremos até o fim ao imperialismo. Com a ajuda de Deus sairemos vitoriosos”, afirmou o iraniano no palácio presidencial de Miraflores. Chávez o chamou de “um dos grandes lutadores anti-imperialistas desta era mundial”.
Nos últimos meses, o Conselho de Segurança da ONU aprovou dois pacotes de sanções exigindo que o Irã suspenda seu programa nuclear. Teerã se nega a atender as exigências, alegando que planeja enriquecer urânio para fins pacíficos. Washington e Paris têm sido os maiores críticos de Ahmadinejad. Na semana passada, o chanceler francês, Bernard Kouchner, acirrou ainda mais os ânimos ao afirmar que, caso o Irã obtenha armas nucleares, seu país deve "se preparar para o pior, e o pior é a guerra''. Em Nova York, o líder iraniano voltou a negar que seu programa nuclear tenha fins militares. A sua passagem pela ONU também ficou marcada pela declaração de que não há homossexuais em seu país. Morales, por sua vez, chamou a atenção na ONU ao propor a "descolonização'' do organismo, sugerindo a mudança da sede para fora dos EUA.