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Para cientista, doação tem de ser obrigatória

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

“Espero que órgãos, tecidos, córneas, enfim, fragmentos humanos sejam doações obrigatórias. A vida não pode ser prejudicada pela ignorância, irresponsabilidade ou omissão do ser humano. Ela é muito maior do que isso.” Pode parecer contraditório, mas o cientista jurídico Newton Martins Pina afirma que é preciso que as pessoas se sintam livres e ao mesmo tempo obrigadas a doar. “O ser humano precisa reaprender a ser solidário.”

Para a coordenadora da Organização de Procura de Órgãos de Botucatu, Amélia Trindade, uma das maiores especialistas no assunto, um trabalho bem feito de divulgação e orientação junto aos moradores sobre doação pode apresentar bons resultados sem a necessidade de tornar o ato obrigatório.

Segundo ela, esse trabalho vem sendo feito na região há cerca de três anos e a resposta tem sido muito positiva. Este é o terceiro ano que a região registra aumento de doadores, enquanto no País, nesse mesmo período, as doações sofreram quedas sucessivas.

Em 2004, a região tinha 5,1 doadores por milhão de habitantes. Hoje, são 7,7 doadores por milhão. No Brasil, ocorreu o inverso. Há três anos, existiam em média sete doadores por milhão de habitantes. Agora, são cinco doadores. Para conseguir atender a demanda da fila de espera de doações, o ideal, segundo Amélia, é que haja, em média, 20 doadores para cada milhão de habitantes.

Além do trabalho de conscientização da população, Amélia diz que é preciso também treinar os profissionais da área da saúde para identificar potenciais doadores. Ela conta que no ano passado morreram cerca de 1 milhão de pessoas no Brasil, e apenas 357 doaram seus órgãos.

“A população ainda não está bem esclarecida. Se estivesse a quantidade de doações seria maior porque o povo brasileiro é generoso”, acredita. Segundo ela, entre o 1 milhão de mortos do ano passado, a maioria talvez nem soubesse como fazer a doação.

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