É difícil imaginar que, com toda tecnologia, ainda existam produtos feitos quase manualmente em sua totalidade. Se você pensar em produção em larga escala, com certeza vai descobrir que os produtos saem praticamente prontos das fábricas. No entanto, em Bauru, uma marcenaria preserva o trabalho manual como principal responsável por sua qualidade.
Na marcenaria de Wilson Barros Silva, os móveis são feitos sob medida e a única máquina que passa pela madeira é responsável pelo corte na medida certa dos móveis. A partir daí, a linha de produção e montagem é toda artesanal. Segundo Silva, é exatamente isso que atrai os clientes. O fato de serem feitas à mão, segundo ele, dá mais qualidade às peças e atraem ainda mais clientes.
Tudo começou quando Silva deixou a família no Rio Grande do Norte para tentar a sorte no Interior paulista. Depois de alguns “bicos” vendendo enxoval, conseguiu emprego em uma marcenaria, de onde saiu quatro anos mais tarde para montar seu próprio negócio, em 1996.
Além de Bauru, Silva atende clientes de toda a região e de outros grandes centros, como Campinas e São Paulo. Para conferir ainda mais qualidade e precisão nos móveis que produz, Silva contratou duas decoradoras projetistas. “O cliente é a sua propaganda. Ele é o seu cartão de visitas”, define o marceneiro.
Para manter o padrão de qualidade dos móveis que fabrica, Silva precisa de mão-de-obra qualificada. O problema está justamente aí. Segundo ele, aliás, este é o grande problemas das marcenarias em Bauru. O mercado está em expansão e o número de trabalhadores qualificados é limitado, o que gera uma rotatividade entre as empresas do ramo.
Com 11 funcionários, o microempresário quer crescer e se estabelecer no Distrito Industrial 3. Uma solução apontada por ele para garantir essa expansão seria o Senai de Lençóis Paulista, que forma profissionais do setor. Mas a concorrência com outras cidades é grande, por isso há dificuldade em buscar esses aprendizes para trabalharem em Bauru. “Gostaria de investir em maquinário mais moderno, mas sem ter quem operar do que adianta?”, questiona ele, que treina seus funcionários na própria marcenaria.
Outra dificuldade é a compra de matéria-prima, já que a cidade não possui investidores nesta área. “Mas o setor tem tudo para crescer e se dar bem em Bauru”, afirma o empreendedor.
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Distritos industriais
Em Bauru há três distritos em funcionamento, somando 4,4 milhões de metros quadrados, de acordo com o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). O Distrito Industrial 1 tem infra-estrutura o suficiente para receber empresas, mas não possui áreas disponíveis.
No Distrito 2, também com infra-estrutura, 70% da área está ocupada e no Distrito Industrial 3 há mais de 50% de área disponível para doação, mas ainda não existe infra-estrutura suficiente para atender plenamente as empresas.
No três distritos há 142 empresas instaladas, mas, segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento, apenas 58 são indústrias, o que representa 40,84% do total.