Bairros

Indústria da cidade atravessou três fases

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

Não é de hoje que a maioria das cidades brasileiras se notabiliza pela tentativa de atrair novas indústrias, visando aumentar a arrecadação e gerar mais empregos para a população. Bauru não é diferente e, desde os primórdios da cidade, vem tentando se constituir como pólo industrial, apesar da força do comércio varejista, que responde por 22,74% atividade econômica da cidade, seguido pelo comércio atacadista (21,92%), as empresas de produtos administrados (energia elétrica e telefone) e os setores de serviços e agropecuária (7%).

De acordo com estudo realizado pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), a cidade teve suas épocas de impulso no setor. Para ser mais exato, foram três fases distintas. Essa história começa em 1911, quando a cidade estava entrando na adolescência, completando 14 anos de vida. À medida que crescia o número de moradores, que chegavam pela ferrovia, surgiam as primeiras fábricas de produtos essenciais na área de alimentação, vestuário e utensílios domésticos.

Até 1911, o município não possuía eletricidade, as máquinas eram manuais, movidas a mão ou a pedal, como impressora de jornais, cilindros de padarias, máquinas de costura, fabricação de meias, e outras eram fabricadas de forma artesanal, como colchões, calçados, refrigerantes e cervejas (Zazá).

Neste ano, o engenheiro J.J. Cardoso Gomes e seu primo, Raul Renato Cardoso de Mello, construíram uma pequena usina geradora de energia elétrica, no entanto, em 1919, devido a um temporal, a barragem do ribeirão Bauru se rompeu, inundando o compartimento das máquinas. Bauru conheceu o primeiro apagão. Era prefeito na época o jovem Octávio Pinheiro Brisolla, que imediatamente comunicou-se com a Companhia Paulista de Força e Luz, pedindo agilidade no prolongamento das linhas de transmissão de Agudos a Bauru. E foi rápido, porque em janeiro de 1920 as lâmpadas que existiam nos velhos postes passaram a brilhar.

Com a chegada da luz elétrica, parecia que Bauru iria rumo ao desenvolvimento industrial com força total. A chegada das oficinas da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil reforçou essa esperança. No entanto, ao mesmo tempo que via sua população aumentar, Bauru via as indústrias de porte desistirem da cidade. Dois casos ‘dolorosos’ foram das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo e da Companhia Antarctica Paulista.

Em 1921 a Matarazzo divulgou a intenção de construir na cidade uma grande fábrica de sabões, mas, apesar de edificar um grande pavilhão na Vila Falcão, a indústria não se instalou. Dois anos depois foi a vez da Antarctica anunciar a construção de um grande frigorífico e de uma fábrica de cervejas. Iniciou-se a terraplanagem do terreno com grande movimentação de terra, canalização do córrego das Flores, no trecho que passava por sua propriedade e iniciou-se a perfuração de cinco poços artesianos. Não demorou muito veio a notícia: a água produzida por seus poços não era adequada ao fabrico de cerveja. E lá se foi mais um sonho de uma grande indústria.

Segunda fase

Assim como muitas cidades do Interior de São Paulo, Bauru também mantinha sua economia baseada no café. Com a queda da Bolsa de Valores em 1929, os preços do principal produto agrícola do Brasil cairam assustadoramente, fazendo com que produtores de Bauru migrassem para a produção de algodão.

Na década de 1930, a cidade tornou-se grande produtora desta cultura. Foi quando se instalaram 11 máquinas de beneficiamento da matéria-prima, entre elas uma da Matarazzo. Assim, a indústria em Bauru era denominada “Indústria da Agricultura”, ou seja, processadoras de matérias agrícolas. A troca do café pelo algodão deu certo até 1940.

Neste período instalaram-se três grandes indústrias em Bauru. Em 1934 a Anderson Clayton, produtora de óleo dos caroços de algodão, se implantou no município. Em seguida vieram a Matarazzo e depois a Moinhos Santista (SAMBRA), que produzia óleo a partir do algodão e amendoim.

Embora a cidade tenha conhecido um surto industrial já na década de 1920, o fenômeno se repetiu envolvendo algumas empresas multinacionais, como as fábricas de Coca-Cola, Crush e Kibon. Em contrapartida, foi nessa época que se estabilizaram a Tilibra e a Souza Reis, ambas do ramo gráfico.

Terceira fase

Depois do ‘boom’ de indústrias na década de 1930, com a chegada do algodão, só ocorreram mudanças significativas com a implantação do Distrito Industrial, em 1963. Nesta ‘entressafra industrial’ houve novo surto da indústria, em decorrência, principalmente da intensa fortificação do comércio, que passou a ocupar toda a área central da cidade, nas décadas de 1950 e 1960. As poucas fábricas ocupantes desta área como a Tilibra, a Metalúrgica Pereira e a Tecelagem Matarazzo, que foram transferidas para áreas adjacentes.

Até que, em 1963, o então prefeito Irineu Bastos assinou a lei número 905, que instituiu o Parque Industrial de Bauru. Com ela, a prefeitura, através da Comissão de Desenvolvimento Industrial (CMDI), concedeu a isenção de todos os impostos municipais, por dez anos, a qualquer indústria que se instalasse nessa região. Com isso, foram implantadas empresas de vários segmentos no Distrito Industrial 1, como material elétrico, eletrônico e de comunicação, plásticos, madeiras, metalúrgicas, etc.

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