De acordo com estudo realizado pelo professor Célio Losnak para seu doutorado em história social na Universidade de São Paulo (USP), Bauru não possui vocação para evoluir no setor industrial, apesar dos esforços para inserir o município na trilha industrial terem sempre existido e ainda hoje se ouvir muito sobre tentativas de incentivos à vinda de empresas.
Na visão de Losnak, que é professor da Universidade Estadual Paulista (UNESP) Bauru nunca esteve na tão clamada rota do desenvolvimento, implantada, principalmente, durante a década de 1960. Essa rota foi constituída pelo governo do Estado para descentralizar o setor industrial, motivada pelo temor do crescimento desorganizado da Capital paulista. O objetivo era controlar o desenvolvimento industrial para, conseqüentemente, controlar esse crescimento desorganizado e o caos, o que não aconteceu.
Diante da investida rumo ao Interior, as cidades se empolgaram com a chance de abrigar parques industriais, visando melhorar o desenvolvimento, riqueza e qualidade de vida da população. Bauru não ficou atrás da euforia geral e foi uma das primeiras cidades que tentaram atrair investidores, através de benefícios e incentivos fiscais. Atrás de Presidente Prudente, o município foi o segundo do Estado a criar um distrito industrial.
No entanto, o pioneirismo não adiantou e sucumbiu à dinâmica do mercado. Cidades como Sorocaba, Campinas, Santos, Cubatão e algumas do Vale do Paraíba, como São José dos Campos, venceram a queda-de-braço dos incentivos fiscais e foram beneficiadas por estarem mais próximas a São Paulo, consumidora em potencial de suas produções.
Mais para o Interior, São Carlos, Piracicaba e Ribeirão Preto acabaram se destacando mais do que Bauru. Apesar do clamor de políticos e intelectuais da época, para que o município se tornasse pólo industrial, a perda de indústrias como a Brahma e a Clarck, para Agudos e Pederneiras, jogaram baldes de água fria nas pretensões bauruenses.
Não significa, no entanto, que a cidade tenha ficado totalmente fora do processo. Aumentaram os empregos e riquezas, mas o crescimento ficou aquém do esperado pelos bauruenses. Enquanto amargava a insatisfação de não ser um centro industrial, a cidade se fortalecia como “ponto de conexão”, segundo Losnak.
Bauru era o elo com o oeste do Estado e o Mato Grosso. O forte da cidade consolidou-se no comércio e na hospedagem dos viajantes. Para atender a demanda, a cidade ampliou seu comércio, abriu bancos e hotéis. A economia cresceu a partir daí.
O professor destaca que o solo pobre também não desenvolvia a agricultura, o que explicava um enorme percentual da população vivendo na zona urbana. Para se ter uma idéia, no início dos anos 1960, 96% dos bauruenses viviam na cidade, num índice similar ao verificado na cidade de São Paulo.
A tendência para a prestação de serviços tornou-se ainda mais evidente com o surgimento das escolas de graduação, como a Instituição Toledo de Ensino (ITE), a Universidade do Sagrado Coração (USC), a Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação Educacional de Bauru (FEB), posteriormente convertida em Universidade Estadual Paulista (Unesp).
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Empregos
Apesar de responder por quase 50% das atividades econômicas de Bauru, a indústria não é a maior empregadora do município. Dos 79.653 empregos formais existentes em Bauru, apenas 13.525 (16,89%) estão na indústria, divididos por 595 estabelecimentos industriais, o que representa 8,62% dos empregadores da cidade, segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. Os dados são referentes a dezembro de 2005.
O interessante desses dados é confrontá-los com os números do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), referentes a 2001. Neste ano, o número de empregos na indústria era de 21 mil, em 550 estabelecimentos industriais, ou seja, o número de indústrias cresceu, mas o de empregados diminuiu.