A crise que atingiu o Partido dos Trabalhadores, os conseqüentes processos no STF, o resultado dos debates no 3.º Congresso Nacional do PT, assim como a possível desistência do deputado Ricardo Berzoini em disputar a presidência do partido, fizeram surgir dentro da bancada de parlamentares petistas novas lideranças na corrida pela direção do PT, também chamados “emergentes”.
Os nomes cogitados são todos de uma nova safra de parlamentares, que tem se destacado por meio da atuação na Câmara, sejam em comissões parlamentares na atuação em defesa do governo e de seus projetos. Da chapa Construindo um Novo Brasil, que obteve maioria no Congresso do Partido realizado no início de setembro, surgem alguns nomes como alternativa. Entre eles a do deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), técnico em mecânica, ex-prefeito de Angra dos Reis e deputado federal em seu terceiro mandato. Ganhou destaque na atuação em meio à crise política e na liderança do Partido dos Trabalhadores. Seu nome ganhou destaque devido à sua atuação pós-crise e na votação dos projetos relacionados ao Programa de Aceleração do Crescimento - PAC.
No último dia 12, cerca de 40 deputados da chapa Construindo um Novo Brasil reuniram-se em Brasília e definiram alguns nomes que pudessem participar da disputa e assim manter a presidência do Partido nas mãos de um deputado federal. A preferência deles é que Berzoini, também deputado, continue na presidência, mas caso haja a insistência do atual presidente em não disputar a eleição, já elegeram quatro nomes que entrariam na linha de frente do pleito. Um deles é Carlos Abicalil (PT-MT), professor formado em Filosofia, com especialização em História Contemporânea, ganhou destaque como integrante da CPI dos Correios.
Outra opção é o gaúcho Marco Maia (PT-RS), metalúrgico, deputado federal no segundo mandato, ganhou evidência como relator da CPI que avalia a crise no sistema de tráfego aéreo do país. Um terceiro nome é o do advogado Maurício Rands (PT-PE), deputado em segundo mandato, professor de direito e ex-vice-líder do Partido na Câmara.
E por fim, como alternativa da corrente majoritária, com viabilidade surpreendente, aparece o deputado federal de primeiro mandato André Vargas (PT-PR). Oriundo de movimentos sociais foi vereador em Londrina, deputado estadual e está á frente da presidência do PT do Paraná há sete anos, chegando rapidamente à Câmara Federal.
Vargas sintetiza dois aspectos bastante apreciados pela militância petista: como parlamentar estadual, e agora federal, faz uma defesa combativa do Partido dos Trabalhadores. Além disso, transita muito bem entre a chamada burocracia partidária e nos demais grupos do partido, principalmente os ligados à ministra do Turismo, Marta Suplicy. Tem como um de seus principais trunfos a forte ligação com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
No grupo Mensagem ao Partido, liderado pelos gaúchos Tarso Genro e Raul Pont, as discussões giravam em torno de Olívio Dutra e Henrique Fontana (PT-RS), mas agora as articulações voltam-se para Marco Aurélio Garcia, assessor internacional da presidência, que segundo os jornais, teria o apoio do próprio Genro, mesmo sendo de uma corrente diferente. Marco Aurélio teme por sua credibilidade abalada pelos gestos protagonizados após o acidente com o avião da TAM, em São Paulo.
A sucessão do PT está prevista para a primeira quinzena de dezembro, mas o debate acerca dos presidenciáveis já começa a tomar corpo desde já, principalmente após a desistência de Berzoini. O próximo presidente do PT terá o desafio de conduzir o processo eleitoral de 2008 e preparar a sucessão de Lula, que pela primeira vez não representará o seu partido na disputa presidencial. Chegar a um nome que agrade ao PT e seu arco de alianças não será tarefa fácil. É uma tremenda responsabilidade para o próximo presidente do PT.
O autor, André Vargas, é deputado federal pelo PT-PR