Política, esporte, mídia, vida e “bandeiras” foram alguns dos assuntos abordados no bate-papo com Soninha, que foi realizado ontem pela manhã, no Instituto Acesso Popular de Educação, Centro de Bauru. A vereadora de São Paulo pelo PPS, apresentadora da ESPN Brasil e colunista da “Folha de S. Paulo” Soninha Francine veio à cidade para dois eventos e um deles foi o debate bem humorado, que faz parte do Fórum Nacional de Democratização das Comunicações (FNDC) - regional Bauru.
Soninha começou a conversa falando sobre sua própria experiência de vida, sobre mídia e política e o quanto os dois temas se uniram no decorrer de sua trajetória. Segundo ela, de pretensa esportista a vereadora da maior cidade do País, não foi um pulo e, ao mesmo tempo, foi.
A vereadora “multimídia” foi mãe precoce - com 17 anos, quis cursar educação física mas acabou fazendo cinema. Entrou por acaso na MTV e ajudou a criar o “Barraco MTV”, programa que, para ela, era uma forma de contribuir com a sociedade e levantar bandeiras na TV. Em seguida, foi pioneira como comentarista “feminina” de futebol... Bem, a lista é longa.
Por essas e outras, a conversa enveredou para a mídia e sua utilização. A Soninha que queria ser vereadora nos idos de 1988 virou “artista de TV” e viu abrir-se um nicho de possibilidades, como levar o Movimento dos Sem-Terra (MST) à TV e falar de meio ambiente quando isso ainda era quase um tabu, na pequena MTV.
A vereadora do PPS, falando do que pode e do que não pode na mídia, entrou na discussão sobre o monopólio das transmissões esportivas. E futebol foi o exemplo dado. Como o monopólio da transmissão das Copas prejudica a atuação do jornalismo foi a primeira questão. O exemplo mais caro, como ela mesma diz, é a forma de cessão de imagens pela detentora dos direitos de transmissão na edição do mundial de 2002. Segundo Soninha, são apenas dois minutos, escolhidos pela emissora cedente, e que devem ser veiculados em no máximo 24 horas.
A vereadora defende que para a comunicação e o País ganharem com o pluralismo de opiniões na mídia, que seja proibida a propriedade cruzada dos meios de comunicação. “Se, no mercado comercial, uma empresa é caçada pelo monopólio, no mercado da comunicação deveria acontecer o mesmo”, conclui.
Outra questão abordada para a democratização das comunicações é a questão da regulamentação das rádios comunitárias. Soninha defende essa frente em um projeto de lei, em trâmite jurídico e político, para o reconhecimentos das emissoras. “A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) cedeu uma freqüência do ‘dial’ para as comunitárias. Agora estamos mapeando e homologando as emissoras para que elas sejam preservadas”, explica.
Outros assuntos
Soninha ainda falou sobre sua mudança de partido, na última sexta-feira. Ela deixou os quadros do Partido dos Trabalhadores (PT) e passou à frente do Partido Popular Socialista (PPS). A vereadora esclareceu que a mudança se deve a sua intenção de disputar a prefeitura da Capital nas próximas eleições. Quando questionada sobre possíveis problemas entre suas demais atividades, posturas e o partido, Soninha aponta: “As pessoas não podem abrir mão do poder que elas têm, estejam onde estiverem”.
Polêmica, a vereadora falou ainda sobre os trâmites da política na Capital e sua controversa entrevista à revista Época em 2001. A reportagem em que ela defendia a legalização da maconha fez com que ela fosse afastada da TV Cultura. “Era uma questão de defender uma causa”, justifica.