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Aumentam idosos, faltam geriatras

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

A mudança no perfil etário da população bauruense já está exercendo impacto sobre a saúde pública da cidade. O processo de envelhecimento da sociedade, reflexo da conquista da longevidade, está gerando um grande aumento na demanda por médicos especializados em geriatria. O número de profissionais, no entanto, não tem acompanhado o crescimento da população idosa.

Em Bauru, uma cidade com cerca de 38,7 mil moradores acima dos 60 anos de idade, existem apenas quatro geriatras atendendo pelo Sistema Único de Saúde (SUS) do Estado. Na rede municipal de saúde, não há nenhum especialista na área. Em um cálculo rápido, se todos os idosos precisassem dos geriatras da rede pública de saúde, cada profissional precisaria dar conta de atender mais de 9 mil pacientes.

E o problema não se limita à média insuficiente de médicos no SUS, já que, dos quatro profissionais que atuam na rede pública, apenas dois prestam atendimento ambulatorial. Esses atendem a população na Fundação Veritas e no ambulatório de especialidades. Os outros dois tratam apenas de internos da Associação Hospitalar Bauru e do Instituto Lauro Souza Lima.

A maior parte dos geriatras da cidade, no entanto, está concentrada na rede particular de saúde, mas ainda assim em número insuficiente. Procurados pela reportagem, representantes em Bauru da Associação Paulista de Medicina, do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo e do Departamento Regional de Saúde (DRS-6) afirmaram não ter informações sobre a quantidade de médicos atuando pela rede particular.

Mas entidades e médicos especialistas na área afirmam que faltam geriatras para atender a demanda da cidade. Para se ter uma idéia, os dois maiores convênios médicos de Bauru somam, juntos, somente sete especialistas. De acordo com o preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Bauru deveria ter, no mínimo, 38 geriatras, já que a entidade recomenda que haja um médico para cada mil pessoas.

“Há bem menos geriatras do que a população precisa. No meu consultório, tento suprir essa demanda ampliando os horários e atendendo até nos sábados. Mas esse déficit em Bauru reflete o que acontece no Estado de São Paulo e no País: muito poucos geriatras, e menos ainda no serviço público”, observa Luciano Camargo, geriatra há 10 anos e secretário da Associação Paulista de Medicina (APM) em Bauru. No Estado todo, são apenas 250 médicos na área para atender 3,9 milhões de idosos.

Uma das deficiências que precisariam ser superadas refere-se à restrita oferta de vagas para residência em geriatria, já que, segundo Camargo, há um crescente interesse dos estudantes de medicina pela área, ainda pouco explorada e bastante promissora. “É uma área interessante porque a população-alvo tende a crescer cada vez mais e há poucos profissionais para atender essa demanda”, destaca Camargo. Neste ano, em São Paulo, onde estão os principais hospitais-escola, a Comissão Nacional de Residência Médica, ligada ao Ministério da Educação, ofereceu somente 68 vagas para geriatria.

Tempo de espera

A queda das taxas de natalidade, a evolução da medicina tanto em diagnóstico quanto em terapêutica e a mudança no estilo de vida das pessoas, com a adoção de atividades físicas e hábitos alimentares mais saudáveis, são apontados como fatores para o aumento da expectativa de vida da população do Estado, que saltou de 68 anos em 1991 para 71 anos em 2000.

Essa média já são anos idos para a aposentada Euzira Bragança, 86 anos. Ela e a filha, a professora aposentada Maria Helena Bragança Albanesi, 60 anos, fazem tratamento preventivo com um geriatra há 10 anos. “Primeiro eu procurei o geriatra para a minha mãe, depois eu também passei a me tratar, porque vi bons resultados. Passei a fazer prevenção das doenças que surgem com a chegada dos 60 anos, com reposição hormonal, de cálcio, vitaminas e sais minerais”, explica Maria Helena, que exalta a qualidade do trabalho de seu médico.

No entanto, segundo apurou a reportagem do JC, o tempo de espera para obter nova consulta com o geriatra de Euriza e Maria Helena é de, pelo menos, 10 meses. Pacientes novos não são aceitos, pela sobrecarga já existente na demanda.

Há um ano e meio, Euriza, que sofre de osteoporose, faz tratamento para retardar a perda óssea, com a aplicação de injeções, e o acompanhamento periódico da evolução do tratamento é feito pelo fabricante do medicamento. “O médico não precisa acompanhar mensalmente. Quem faz o acompanhamento é o laboratório que fabrica esse medicamento, que nos liga para perguntar como está a situação dela, se a dor tem diminuído. Se eu precisar, dou uma ligada para o médico. Ela tem uma reavaliação marcada para janeiro para saber se continuará com o tratamento”, afirma Maria Helena.

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