Pouco depois da boa recepção ao documentário “Brasileirinho”, do finlandês Mika Kaurismaki, o choro volta a ser reverenciado em filme. No caso, os seis curtas-metragens da mostra Chorando no Cinema, que será exibida pelo Canal Brasil a partir de amanhã, às 19h.
Os filmes têm formatos diversos. Há desde um com pretensões didáticas, “Chorinhos e Chorões”, dirigido por Antônio Carlos da Fontoura em 1974, até “Alma Carioca, um Choro de Menino”, animação de William Côgo de 2002 e que encerra a série em novembro. “Não quisemos só acervo, e sim apontar para o futuro. O choro é um gênero vivo”, ressalta o cineasta Fernando Pinto, idealizador da mostra.
Chorando no Cinema surgiu em 2004 no Rio e reuniu mais de dez filmes, incluindo produções recentes como “Choro Novo”, sobre as novas gerações de músicos. Para o Canal Brasil, foram selecionados seis e acrescentou-se uma apresentação de Luciana Rabello, cavaquinista e grande conhecedora do assunto. Ela toma a liberdade de ressaltar que o crítico Lúcio Rangel, autor dos textos de “Chorinhos e Chorões”, cometeu imprecisões históricas no curta porque não tinha conhecimento de informações que surgiram nos anos seguintes.
O Regional Carioca ainda toca uma peça relativa ao filme do dia. Os filmes contam com belas e raras imagens. “Chorinhos e Chorões” mostra uma formação clássica do Época de Ouro (Jonas, César Faria, Damásio, Déo Rian e Jorginho). “Conversa de Botequim” (1972), de Luiz Carlos Lacerda, tem Pixinguinha, Donga e João da Baiana reunidos.
Em “Dor Secreta” (1980), também de Lacerda, o violonista Raphael Rabello aparece tocando aos 16 anos. “O Choro Dele” (1975), de Leilany Fernandes, conta com a que talvez seja a única imagem em movimento de Jacob do Bandolim. O outro curta é “Álbum de Música” (1974), de Sérgio Sanz.