Quando acorda, Lourdes Francisca de Assis, 51 anos, moradora da alameda Copérnico, no Parque Roosevelt, tem receio de sair na rua. “Se saio de casa, tomo um banho de poeira. Fico, da cabeça aos pés, cheia de terra”, afirma. A reclamação não é só dela. Outros moradores entrevistados também dizem o mesmo. Eles já fizeram abaixo-assinado há um ano pedindo asfalto na via. “Meu filho enviou o documento para os órgãos competentes, mas não tivemos resposta até hoje”, conta.
Enquanto aguarda, ela sofre com problemas de pele. “Tenho alergia e coceira. Meus gatos também ficam se coçando por causa da terra”, diz.
A mãe dela, moradora da mesma casa, há dois anos deixa bacia de água e toalha molhada no quarto para amenizar o clima seco. Mas quando as duas vêem o ônibus se aproximando, fecham o portão da frente da residência para tentar evitar que a poeira entre em casa. “Essa rua é corredor de ônibus e eles passam principalmente pela manhã, na hora do almoço e à noite”, observa.
A alta velocidade dos ônibus também a incomoda. “Eles levantam um poeirão. Plantei algumas árvores em frente de casa para amenizar o problema”, conta a moradora.
Nem mesmo nos dias de chuva os moradores estão a salvo de problemas. Eles reclamam que, quando chove, o banho é de lama. “Quando vou trabalhar, preciso tomar cuidado para não ficar ensopada enquanto espero no ponto de ônibus”, diz a auxiliar de cozinha Creidi Marães.
Outra moradora da mesma rua, Débora Lopes de Lima, diz que seus dois filhos ficam com problemas respiratórios por causa da poeira. “É difícil de respirar e para as crianças, é pior ainda”, admite.
Creidi se cansa de limpar a casa e diz que economizaria água se a rua fosse asfaltada. “Preciso lavar os quartos porque ninguém agüenta a poeira. Minha filha limpa a mobília pela manhã, mas tenho que limpar tudo de novo quando volto do serviço, à noite”, diz.
Através da assessoria de comunicação da prefeitura, a Secretaria Municipal de Obras informou que as equipes de terraplanagem realizarão serviços na alameda Copérnico assim que os trabalhos forem concluídos em outras regiões da cidade agendadas anteriormente. Nesta semana, as equipes estão atuando no bairro Pousada da Esperança.
Quanto à pavimentação da rua, a prefeitura depende da disponibilidade de recursos financeiros. Para ampliar a capacidade de investimentos na área de pavimentação, a prefeitura pretende vender terrenos ociosos localizados na avenida Nações Unidas e utilizar o dinheiro exclusivamente em asfalto. A venda dependerá de autorização da Câmara Municipal.
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Lei do asfalto
Quem estiver interessado em pagar para ter sua rua pavimentada através do chamado plano comunitário, deve se preparar para buscar assinaturas junto aos vizinhos. No último sábado, dia 29, a lei que estabelece o Plano Comunitário de Pavimentação foi publicada no Diário Oficial de Bauru.
A lei permite à população contratar - e pagar - diretamente com o prestador do serviço a realização de benfeitorias como asfalto, recape, guias e sarjetas, desde que pelo menos 75% dos moradores de uma mesma localidade assinem o contrato.
Os que não aderirem, chamados na lei de discordes, também vão ter de pagar. Esses, porém, serão cobrados pela prefeitura, que vai licitar a obra junto a uma empreiteira e repassar o valor, depois, ao contribuinte.
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Pedido
O Jornal da Cidade já mostrou a reivindicação de moradores da Pousada da Esperança 1 e 2, além de outros bairros que passam pelo mesmo problema de falta de asfalto. A Prefeitura Municipal de Bauru concluiu, na última quinta-feira, o trabalho de pavimentação de cinco quadras de terra do Parque Vista Alegre. O trabalho foi realizado nas quadras 1 e 2 da alameda das Azaléias, 1 e 2 da alameda das Alpinas e quadra 5 da alameda Dama da Noite.