Bairros

Moradores do Jd. Ivone duvidam do desfavelamento

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

O desejo de deixar a favela e morar em uma casa que ofereça condições mais humanas é tão grande que os moradores do Jardim Ivone mostram-se desconfiados diante da possibilidade de ver esse sonho realizado. Nem mesmo a informação de que o terreno para o desfavelamento já está garantido deixa a população do bairro mais tranqüila.

Neste sábado, representantes da prefeitura estiveram no bairro para conversar com as famílias que serão beneficiadas com a construção das casas. Diante de uma platéia incrédula, eles apresentaram a provável planta da casa, informaram sobre o andamento das negociações com o governo do Estado, mostraram onde as moradias serão construídas, mas não disseram o que as famílias mais queriam ouvir: quando elas finalmente deixarão a favela.

“De todos os projetos de desfavelamento em Bauru, o do Jardim Ivone é o que está mais próximo de ser realizado, mas isso ainda vai levar um tempo e nós não temos condições de dizer quando será”, disse a arquiteta Maria Helena Rigitano, da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), às pessoas que compareceram à reunião no salão comunitário Padre Aníbal.

Consta do projeto a construção de 86 casas com 7,5 metros de frente e 24 metros de fundo. O custo das moradias está estimado em R$ 2 milhões. Esse valor não inclui a despesa com as obras de infra-estrutura, como guia, sarjeta, água, esgoto e energia elétrica, que serão feitas pela prefeitura.

De acordo com Maria Helena, o prefeito Tuga Angerami está tentando negociar com o governo do Estado o subsídio das moradias. Se isso acontecer, as 86 famílias contempladas precisarão pagar apenas uma parte do valor dos imóveis. As casas devem ser construídas pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU). Além da infra-estrutura básica, a prefeitura vai ceder o terreno, que foi conseguido em troca de dívidas tributárias. Os lotes ficam no mesmo bairro.

Roselina Avelino, 38 anos, nasceu na favela do Jardim Ivone. Apesar do esforço dos representantes da prefeitura em fazer os moradores acreditarem que o desfavelamento vai sair do papel, ela não se mostra tão confiante. “Eu não acredito que isso vai acontecer”, diz ela, desanimada.

A desconfiança também é forte na moradora Juliana Aparecida Martins, 27 anos. Segundo ela, em fevereiro do ano passado o prefeito Tuga esteve no bairro e teria dito que as casas ficariam prontas antes do Natal daquele ano. O Natal passou, outro está chegando e nada das casas ficarem prontas. “Era ele (prefeito) que deveria vir aqui conversar com a gente”, reclama. Segundo o presidente da associação de moradores, Geovani Pereira da Silva, o desfavelamento do Jardim Ivone é uma promessa de campanha do atual prefeito.

Além de Maria Helena, participaram da reunião como representantes do município Sueli Lima, Santino Ferreira da Silva, ambos do Grupo da Habitação, e os engenheiros civis Paulo Garbeloti e Tânia Kamimura Maceli.

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