Geral

Governo federal pesquisa moradores de rua em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

O governo federal iniciou anteontem um levantamento inédito para dimensionar o número de moradores de rua existentes no País. Com investimento de R$ 1,5 milhão por parte do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Bauru e mais outras 59 cidades brasileiras com mais de 300 mil habitantes foram incluídas na Contagem Nacional da População em Situação de Rua, que pretende apurar as condições em que vivem estas pessoas.

A partir do estudo, a expectativa é que sejam desenvolvidas políticas nacionalmente articuladas para este público, através de iniciativas que contribuam para sua inclusão na sociedade.

Em seis horas percorrendo as ruas de Bauru, as equipes localizaram 36 moradores de rua espalhados em diversos pontos da cidade. Para realizar o levantamento em Bauru, 12 pesquisadores foram divididos em duas equipes que trabalharam das 19h30 de anteontem até a 1h30 de ontem. Uma das equipes percorreu a região compreendida entre o Albergue Noturno, Pronto-Socorro Central, Praça Rui Barbosa e Estação Ferroviária, onde foram identificados 18 moradores.

Já a outra equipe visitou bairros como Vila Nova Esperança, Vila Falcão, Vila Independência, Sambódromo, além do Terminal Rodoviário e viadutos de avenidas como Nuno de Assis e Nações Unidas, localizando outros 18 moradores. Ainda na manhã de ontem, os pesquisadores visitaram mais dois abrigos da cidade, onde encontraram mais alguns moradores de rua que não tinham sido entrevistados na noite anterior. No entanto, até o fechamento desta edição, o resultado deste último levantamento não havia sido divulgado pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes).

Pouco tempo

Para Maria Cristina de Souza, diretora do Departamento de Proteção Especial da Sebes e colaboradora da pesquisa, o período restrito de apenas seis horas em que a busca foi realizada pode prejudicar o resultado da contagem. “Esperávamos um número maior de moradores, mas a metodologia adotada pelo instituto é realizar a pesquisa em apenas um dia”, explica. Ela lembra que, em 2005, a secretaria fez um levantamento para traçar o perfil dessa população e identificou 52 moradores de rua na cidade. “Nessa nova pesquisa nós não conseguimos identificar um número grande de moradores.

Não sabemos quais são os motivos, mas não tivemos um número muito expressivo. Pode ser porque estava um pouco frio, pode ser que eles estejam se abrigando no interior de casas desocupadas”, acredita.

De acordo com Cristina, ainda há a possibilidade de ser realizada nova contagem. Isso dependerá de determinação da empresa contratada para realizar a pesquisa.

Com o estudo, a expectativa da Sebes é que o governo elabore projetos e programas sociais voltados para essa população. “Acreditamos que essa pesquisa esteja vinculada a algum repasse de recursos do governo federal, mas não temos essa informação ainda”, explica.

De qualquer modo, segundo informou Cristina, o conhecimento de como essa população vive, mora, quais são seus vínculos familiares, suas condições de saúde, seu nível de escolaridade, entre outras informações, poderá contribuir para o desenvolvimento dos trabalhos na Casa de Referência da População de Rua, projeto que a Sebes pretende implantar até dezembro deste ano na cidade.

Comentários

Comentários